“Estamos no mercado para negócios grandes ou pequenos”, disse o diretor-presidente Mike Doustdar em entrevista durante a Conferência de Saúde do JPMorgan, em San Francisco. “Desde que seja complementar aos nossos próprios ativos, podemos fazer aquisições muito grandes, muito grandes mesmo, mas precisa valer a pena e ser muito melhor do que o que já temos.”
A Novo tenta uma recuperação após perder a confiança de muitos investidores em 2025. Apesar de ter sido pioneira no mercado de medicamentos contra a obesidade, a empresa dinamarquesa tem enfrentado dificuldades para competir com a Eli Lilly e viu seu pipeline de novos medicamentos ficar aquém das expectativas.
“A Novo tem um balanço sólido e um poder de fogo significativo para realizar fusões e aquisições se a oportunidade certa surgir”, disse Michael Shah, analista da Bloomberg Intelligence. “Dito isso, poucas empresas oferecem um portfólio tão amplo em obesidade quanto a Metsera.”
Aquisições de grande porte provavelmente trariam sobreposição com o portfólio atual da Novo e exigiriam a venda de ativos, acrescentou Shah, o que torna acordos de licenciamento e aquisições complementares (bolt-on) uma abordagem mais provável.
Uma peça-chave da estratégia de Doustdar é uma versão oral do blockbuster injetável Wegovy, da Novo, que começou a ser vendida neste mês nos Estados Unidos. A demanda pelo comprimido tem sido boa, embora ainda seja cedo, disse ele em entrevista à Bloomberg TV.
A Novo saiu na frente da Lilly ao lançar o comprimido, embora a farmacêutica americana planeje começar a vender um produto concorrente a partir do segundo trimestre.
As ações da Novo subiram 18% neste ano até o fechamento de terça-feira, impulsionadas pelo otimismo em torno do comprimido. Na quarta-feira, os papéis ficaram praticamente estáveis em Copenhague.
“Vamos acompanhar de perto como a Novo vai alavancar sua vantagem de pioneira”, afirmou o analista da BMO Capital Markets Evan David Seigerman em nota. “Apreciamos a abordagem da empresa para navegar em um mercado cada vez mais competitivo e aguardamos atualizações sobre o lançamento do Wegovy em comprimido para validação estratégica.”
Chegando com força
Doustdar levou toda a sua equipe executiva à conferência do JPMorgan, uma mudança em relação à estratégia adotada pela empresa em anos anteriores. Segundo ele, a ideia era que todos estivessem presentes para se reunir com potenciais parceiros.
“Há muita coisa que não é inventada dentro da minha própria casa”, disse ele. “Precisamos ser humildes ao analisar, avaliar e, possivelmente, seguir adiante com isso.”
A Novo abandonou a disputa acirrada pela Metsera em novembro, depois que a Pfizer ofereceu até US$ 10 bilhões pela startup de medicamentos contra a obesidade. Doustdar afirmou que costuma ser questionado sobre até onde estaria disposto a ir em busca da próxima grande aposta.
“Não existe um valor específico”, disse ele em uma apresentação na conferência. “Pode ser 20, pode ser 30, pode ser 40. Podemos pagar, mas precisa valer a pena.”
A Novo também segue tentando combater versões manipuladas mais baratas de seu blockbuster contra a obesidade, o Wegovy. A empresa afirma que até 1,5 milhão de pacientes ainda utilizam medicamentos GLP-1 manipulados.
Doustdar disse que está pedindo paciência aos investidores na conferência enquanto busca construir crescimento de volume para compensar os cortes de preços dos medicamentos contra a obesidade que negociou no ano passado com o governo dos EUA. Segundo ele, os cortes terão impacto imediato, enquanto a Novo precisará de tempo para expandir o mercado e alcançar mais pacientes.
“Esta é uma redução de preço muito grande”, afirmou. “Isso terá um impacto significativo.”
Além das cópias manipuladas, a Novo enfrentará, pela primeira vez neste ano, genéricos licenciados da semaglutida, o principal ingrediente do Ozempic e do Wegovy. A barreira à entrada de genéricos caiu neste mês no Canadá, e as patentes devem expirar na China, no Brasil e na Índia a partir de março.
