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O celular de Trump finalmente chegou — e já virou alvo de críticas

Aparelho da família Trump chegou com meses de atraso, promessa de fabricação americana enfraquecida e detalhes que viralizaram nas redes

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O smartphone T1, da Trump Mobile, empresa criada pela família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a ser entregue a clientes nesta semana após meses de atraso. Vendido a US$ 499 (cerca de R$ 2,5 mil), o aparelho dourado já nasceu cercado de questionamentos sobre fabricação, design e até sobre a bandeira americana estampada no logo da marca.

O lançamento do T1 estava originalmente previsto para agosto do ano passado. Foi adiado para outubro e, só agora, chegou de fato ao mercado. A Trump Mobile, criada pela Trump Organization em junho de 2024 sob um acordo de licenciamento de marca, atribuiu os atrasos ao tempo necessário para cumprir etapas de desenvolvimento e testes de qualidade dos componentes.

“Os aparelhos pré-encomendados estão começando a ser entregues aos clientes esta semana”, disse Pat O’Brien, CEO da Trump Mobile, em nota à agência Reuters. A empresa não divulgou quantas unidades foram pré-vendidas ou enviadas, citando razões competitivas, mas afirmou que espera atender todos os pedidos pendentes nas próximas semanas.

O que o aparelho oferece

O T1 roda Android e traz uma tela de 6,78 polegadas, processador Qualcomm Snapdragon, sistema de câmera tripla e bateria de 5.000 mAh. Vem ainda com o aplicativo Truth Social — rede social criada por Trump após sua suspensão das principais plataformas em 2021 — pré-instalado de fábrica. Um detalhe nostálgico: o aparelho manteve a entrada de 3,5 mm para fones de ouvido, item que havia praticamente desaparecido dos smartphones vendidos nos Estados Unidos.

Um dos pontos mais comentados foi a mudança de discurso em torno da fabricação. O T1 foi originalmente apresentado como um celular “desenhado e construído nos Estados Unidos” — promessa ambiciosa num país que praticamente não tem infraestrutura de produção de smartphones.

A embalagem do produto, porém, traz apenas “assembled in the USA” (“montado nos EUA”), sugerindo que a maior parte dos componentes veio de fora, com apenas a etapa final ocorrendo em território americano. O’Brien confirmou que os primeiros aparelhos são “montados nos EUA” e disse que a empresa tem como meta, no futuro, lançar um modelo com a maioria dos componentes fabricados domesticamente.

As críticas não pararam por aí. Analistas da NBC News apontaram que o visual do T1 lembra bastante o HTC U24 Pro, lançado pela fabricante taiwanesa em 2024. Em versões anteriores de divulgação, a Trump Mobile chegou a usar a imagem de um Samsung Galaxy S25 Ultra para representar o próprio produto.

Outro detalhe viralizou nas redes sociais: a bandeira americana no logo da Trump Mobile aparece com apenas 11 faixas horizontais visíveis, quando a bandeira oficial dos EUA tem 13. A empresa não se pronunciou sobre o assunto.

No campo regulatório, o lançamento levanta questões éticas. Especialistas e parlamentares democratas criticaram o fato de a iniciativa usar o nome Trump enquanto o presidente ainda está no cargo. Houve questionamentos ao operador T-Mobile sobre sua relação com o serviço de marca Trump, e preocupações sobre potenciais conflitos de interesse. A Casa Branca negou qualquer conflito e afirmou que os ativos do presidente estão em um trust gerido por seus filhos.

Plano de serviço com número simbólico

A Trump Mobile opera como um MVNO (operadora virtual), usando a infraestrutura de operadoras já existentes. O plano mensal custa US$ 47,45 — uma referência ao fato de Trump ter sido o 45º e o 47º presidente dos Estados Unidos.

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Apesar de toda a controvérsia, a análise preliminar da NBC News concluiu que o T1 entrega um desempenho razoável para a faixa intermediária de preço, com “bom custo-benefício” e fotos “até bastante boas” — embora o aparelho fique aquém de parte das promessas feitas no lançamento.

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