Adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank foi concebido como uma plataforma de inclusão financeira, com oferta de produtos básicos como conta digital gratuita, cartão e linhas de crédito voltadas a públicos de menor renda.
Além do foco em inclusão financeira, o Will Bank também buscava se diferenciar pela linguagem informal adotada em seus canais de comunicação. Em redes sociais e materiais institucionais, o banco evitava o jargão financeiro tradicional e falava diretamente com o público em tom coloquial, usando primeira pessoa, emojis e frases curtas para reforçar a ideia de diálogo “de igual para igual”.
A estratégia era se apresentar como uma instituição acessível, que colocava a pessoa antes do currículo ou do cargo e tentava reduzir a distância entre banco, clientes e colaboradores.
Banco Master
Quando o Banco Master foi liquidado, no fim de 2025, o BC não estendeu a medida imediatamente ao Will Bank, ao avaliar que havia possibilidade de venda da operação no mercado. A expectativa era preservar os serviços, manter a base de clientes e reduzir o impacto para investidores e para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
As negociações com potenciais compradores, incluindo grupos estrangeiros, no entanto, não avançaram dentro do prazo considerado viável pelo regulador.
Queda e liquidação
Nos últimos dias, a situação operacional do banco se deteriorou. Em 19 de janeiro, o Will Bank descumpriu obrigações com o arranjo de cartões da Mastercard, que suspendeu o uso dos cartões da instituição por falta de pagamentos. O episódio aumentou a pressão sobre a liquidez da financeira.
Diante da insolvência, da persistente fragilidade financeira e do vínculo de interesse com o Banco Master, o Banco Central concluiu que a continuidade da operação não era mais viável e decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento.
O desfecho marca mais um capítulo da crise envolvendo o Master e suas controladas e evidencia os limites de sustentabilidade de modelos que dependem fortemente de liquidez e confiança, mesmo quando associados a propostas de inclusão financeira.
O impacto para o FGC
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a ser responsável por ressarcir investidores e correntistas dentro dos limites legais. Os pagamentos só poderão ser iniciados após o envio da lista oficial de credores pelo liquidante, etapa necessária para a definição do cronograma de devoluções.
Segundo dados do Banco Central, o Will Bank tinha cerca de R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo, majoritariamente em CDBs, em setembro de 2025 — valor que pode ser incorporado ao montante a ser desembolsado pelo fundo.
Somando os casos do Banco Master, Letsbank e agora do Will Bank, o impacto potencial sobre o FGC pode chegar a cerca de R$ 48 bilhões, o equivalente a aproximadamente 40% do caixa total do fundo, estimado em R$ 122 bilhões.
O que muda para os investidores
A partir da liquidação:
- Negociações com CDBs e outros produtos do Will Bank estão suspensas, e os depósitos permanecem bloqueados até o processamento do FGC;
- Para receber os valores cobertos, o investidor precisa solicitar o ressarcimento pelos canais oficiais do fundo, como o aplicativo ou o portal digital;
- A cobertura do FGC é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, incluindo o principal e os rendimentos acumulados até a data da liquidação;
- Rendimentos posteriores à liquidação não são contabilizados, o que pode reduzir o retorno efetivo dos investidores.
