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Parque em Abu Dhabi e integração com a Epic Games: o que o novo CEO da Disney precisa tirar do papel

D’Amaro assume hoje a Disney com histórico à frente da divisão de parques, que superou o entretenimento como principal fonte de lucro

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A reunião anual de acionistas da Walt Disney, na quarta-feira (18), marca a passagem formal do bastão: Josh D’Amaro assume como diretor executivo (CEO), substituindo Bob Iger, que deixa para seu sucessor uma longa lista de tarefas.

Após duas décadas no comando de uma das maiores empresas de entretenimento do mundo, Iger entrega a D’Amaro uma companhia com um estúdio de cinema muito expandido e próspero, uma operação global de parques em crescimento e bem-sucedida e um serviço de streaming lucrativo.

No entanto, as ações da empresa têm apresentado desempenho inferior ao do mercado em geral e de seus pares desde o retorno de Iger ao cargo de CEO, em 2022, refletindo a preocupação dos investidores com o cenário midiático em transformação, que antes era dominado pela Disney.

D’Amaro, veterano da Disney há 28 anos, liderou nos últimos cinco anos a área de parques e experiências, que ultrapassou o setor de entretenimento como principal gerador de lucro da companhia. Sua nomeação como CEO indica a direção que a Disney vê para seu futuro. Mas a empresa também divulgou recentemente uma previsão de crescimento fraca, citando dificuldade em atrair turistas internacionais para seus parques domésticos e alertando sobre custos crescentes para transmissões esportivas.

D’Amaro terá de reforçar a base tradicional de poder da empresa na mídia, área em que tem menos experiência e que vem sendo impactada pela erosão da TV tradicional e pelo crescimento mais lento de assinantes de streaming após aumentos sucessivos de preços.

Para isso, trabalhará em estreita colaboração com Dana Walden, sua principal rival para a posição de CEO, que agora se torna a primeira presidente e diretora criativa da Disney. Ela recebeu um escopo ampliado, supervisionando os negócios de filmes, streaming e TV da companhia, junto com seus investimentos crescentes em jogos.

Walden, que foi fundamental na operação da plataforma de streaming da Disney sob Iger e possui amplos relacionamentos em Hollywood, continuará a compartilhar a supervisão desse negócio com Alan Bergman, responsável pelo portfólio de filmes da empresa.

Em fevereiro, as ações da Disney caíram após a empresa afirmar que enfrentaria desafios para atrair turistas internacionais para seus parques domésticos e alertar sobre custos crescentes para transmissões de jogos esportivos.

A reunião anual, que marca a transferência oficial de poder, é a primeira vez que D’Amaro se dirige a um público como CEO. Ele não deu muitas entrevistas desde que foi nomeado sucessor em 3 de fevereiro, mas conversou em conferência telefônica com blogueiros populares que cobrem principalmente os parques da Disney.

Unificação

Na ligação do mês passado, D’Amaro falou sobre “uma visão de unificação de uma empresa muito grande”, disse Lou Mongello, participante da entrevista e apresentador do podcast WDW Radio, em episódio posterior. “Ele fez referências a tudo, desde Fortnite a férias em parques, ESPN e Disney+, de maneiras que começarão a se interconectar.”

D’Amaro repetia frequentemente a palavra “ilimitado” para descrever sua visão, disse Mongello. O novo CEO não deu detalhes específicos, mas mencionou olhar para inteligência artificial, realidade aumentada e realidade virtual para criar “experiências muito mais imersivas, não apenas nos parques, mas em todas as plataformas e em todos os pontos de contato.”

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Seu desafio será transformar essa visão em resultados.

As ações da Disney subiram 9% desde o retorno de Iger como CEO em novembro de 2022. No mesmo período, o S&P 500 subiu 70%, enquanto as ações da Netflix mais que triplicaram. Fox Corp. quase dobrou de valor.

Impulsionar o preço das ações da Disney exigirá “aumentar a confiança dos investidores de que o streaming pode entregar crescimento de receita de dois dígitos”, junto com a melhora das margens de lucro, escreveu Robert Fishman, analista de mídia da MoffettNathanson, em nota de pesquisa intitulada “Uma Carta para D’Amaro”, após o anúncio de sua nomeação.

Quando a Paramount Skydance concluir a aquisição proposta da Warner Bros., a Disney terá um novo e formidável concorrente no streaming.

A combinação de Paramount+ e HBO Max — que unirá séries do universo Yellowstone da Paramount com o amplo catálogo da Warner Bros., incluindo Harry Potter e títulos baseados em super-heróis da DC Comics — terá cerca de 200 milhões de assinantes globalmente, aproximadamente o mesmo que os serviços de streaming da Disney, excluindo a ESPN.

Rich Greenfield, analista da LightShed Partners, afirmou que a Disney poderia gerar valor ao desmembrar a ESPN e as redes ABC, onde os esportes às vezes são transmitidos simultaneamente.

Direitos esportivos

A disputa por direitos esportivos se tornou intensa após a entrada de gigantes de tecnologia, incluindo Amazon, Apple e Netflix “ESPN e ABC estão se tornando cada vez mais uma distração” para a Disney, considerando seu foco em entretenimento, parques temáticos e cruzeiros, disse Greenfield.

D’Amaro já começou a montar sua equipe de liderança: promoveu Thomas Mazloum, presidente da Disneyland California, para liderar o negócio de parques, que passa por uma expansão de US$ 60 bilhões, incluindo a duplicação da frota de navios de cruzeiro.

Paul Roeder foi nomeado diretor de comunicações, substituindo Kristina Schake. Roeder, que subiu na hierarquia da Disney comandando relações públicas do estúdio de cinema, ajudará D’Amaro a estreitar relações em Hollywood. Joe Earley e Adam Smith conduzirão o negócio de streaming com supervisão de Walden e Bergman. Debra O’Connell, chefe da ABC News e estações locais, também supervisionará a produção de TV na ABC, Hulu e National Geographic.

O novo CEO precisará cumprir o investimento de US$ 1,5 bilhão da Disney na Epic Games, produtora do Fortnite — acordo que D’Amaro negociou em 2024. As duas empresas devem lançar ainda este ano um universo de entretenimento baseado nas marcas e personagens da Disney.

Em entrevista à ABC no mês passado, D’Amaro observou que compartilha algumas das características de sucesso de seu antecessor.

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Parque em Abu Dhabi

“Bob é um grande tomador de riscos e eu também sou, e isso tem sido verdade durante toda a minha vida, na forma como cresci como indivíduo e como encaro o mundo dos negócios”, disse D’Amaro. Ele citou como exemplo o acordo para construir um resort em Abu Dhabi — primeira localização totalmente nova da Disney desde a abertura do Shanghai Disney Resort em 2016.

“Quando você entende o legado deste lugar e o fato de que é preciso continuar avançando e ser inovador — sinto que estou pronto para esse desafio”, concluiu D’Amaro.

O parque em Abu Dhabi foi anunciado no ano passado pela Walt Disney Company como seu primeiro empreendimento no Oriente Médio e será parte de um grande resort na Yas Island, polo turístico dos Emirados Árabes Unidos que já abriga atrações como Ferrari World, Warner Bros. World e SeaWorld Abu Dhabi.

O projeto — o 13º parque da companhia e o primeiro desde o Shanghai Disney Resort, inaugurado em 2016 — será construído e operado pelo Miral Group, enquanto a Disney ficará responsável pelo desenvolvimento criativo, incluindo personagens e atrações. A fase de design costuma levar cerca de dois anos, seguida por um período de construção estimado em até seis anos.

Descrito como um projeto “incrivelmente ambicioso”, o resort deve ser o mais avançado tecnologicamente da Disney e faz parte da estratégia da empresa de acelerar o crescimento de sua divisão de experiências, hoje a mais lucrativa. A escolha de Abu Dhabi também reflete o acesso a um dos maiores hubs aéreos globais, com mais de 120 milhões de passageiros por ano na região.

O investimento será integralmente financiado pela Miral, sem necessidade de capital direto da Disney, dentro de um plano mais amplo da companhia de destinar até US$ 60 bilhões a parques, cruzeiros e experiências na próxima década.

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