A empresa, apoiada por Roger Federer, continua esperando crescimento de pelo menos 23% nas vendas em moeda constante em 2026, informou a companhia nesta terça-feira (12). A projeção ficou ligeiramente abaixo das estimativas de analistas, apesar de a empresa ter divulgado receitas acima do esperado no primeiro trimestre e elevado sua perspectiva de lucro.
As ações da On chegaram a cair 7,4% no pré-mercado, revertendo uma alta inicial após a divulgação dos resultados. Os papéis acumulavam queda de 27% no ano até o fechamento de segunda-feira, em meio a preocupações dos investidores com tensões comerciais globais e dúvidas sobre a continuidade do boom dos tênis esportivos.
Os mercados globais também foram pressionados pela espera dos dados de inflação dos Estados Unidos e pelo impasse entre EUA e Irã, enquanto ações da rival Under Armour Inc. despencaram após projeções fracas de vendas.
Cetismo do mercado
A On segue enfrentando ceticismo de investidores mesmo com crescimento acelerado em calçados premium para corrida e expansão para categorias como tênis, atividades outdoor, treinamento e vestuário. Desde sua fundação em 2010, a empresa ganhou participação de mercado de concorrentes como Nike e Puma superando metas de vendas e rentabilidade definidas em 2023.
Ainda assim, analistas esperavam uma revisão para cima nas projeções de receita. Segundo Paul Lejuez, do Citi, investidores podem ter se frustrado com o ritmo de crescimento nas Américas e na Ásia durante o trimestre.
A companhia informou que atualizará investidores sobre sua estratégia em setembro. Neste mês, os fundadores Caspar Coppetti e David Allemann retomaram o controle operacional como co-CEOs. Eles fundaram a On ao lado do ex-atleta profissional Olivier Bernhard e têm focado especialmente na expansão na Ásia.
No primeiro trimestre, as vendas cresceram 26% em moeda constante, para 832 milhões de francos suíços (US$ 1,1 bilhão), acima das expectativas do mercado. As receitas avançaram 17% nas Américas, 61% na Ásia-Pacífico e 26% na Europa, Oriente Médio e África.
O modelo Cloudtilt Remix, voltado ao público jovem, tornou-se em março o tênis mais vendido da marca na Foot Locker, uma das maiores redes varejistas de tênis e artigos esportivos do mundo, na Europa, segundo Coppetti.
Embora os tênis ainda representem a maior parte da receita, o segmento de vestuário registrou crescimento de 58% no trimestre.
A On também elevou suas projeções de margem EBITDA ajustada — indicador que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — para entre 19,5% e 20% neste ano, acima das expectativas dos analistas. A previsão de margem bruta também subiu para pelo menos 64,5%.
A empresa afirmou ainda que suas projeções seguem considerando tarifa adicional de 20% sobre produtos importados do Vietnã para os Estados Unidos. Embora tenha solicitado reembolsos relacionados às tarifas americanas, a companhia disse que ainda não incorporou esses potenciais ganhos às estimativas.
A On também vem ampliando a produção de seus calçados LightSpray, fabricados com robôs. Neste ano, a empresa abriu uma fábrica com 32 robôs na Coreia do Sul. Segundo Coppetti, a demanda supera a oferta dos modelos produzidos no local, incluindo o LightSpray Cloudmonster 3 Hyper, vendido por US$ 280.
“Cada vez que lançamos algo, os produtos desaparecem imediatamente”, afirmou o executivo.
