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Em meio à crise, Oncoclínicas obtém crédito de até R$ 150 milhões e anuncia mudanças no conselho

A Oncoclínicas comunicou ainda mudanças na governança, incluindo a renúncia imediata do vice-presidente do Conselho de Administração, Bruno Ferrari, fundador da empresa

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A Oncoclínicas, rede de clínicas oncológicas, informou nesta quinta-feira (16) que aprovou uma proposta de operação de fomento apresentada pela MAK Capital, fundo americano, e pela gestora Lumina Capital Management, com o objetivo de reforçar a estrutura financeira da companhia e de sua controlada OncoProd Distribuidora de Produtos Hospitalares e Oncológicos.

A operação prevê um financiamento entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, a depender do volume de garantias disponíveis, a ser viabilizado pela Lumina Capital. Os recursos serão direcionados à aquisição de medicamentos pela Oncoclínicas junto à OncoProd, com a finalidade de preservar a geração de receitas e a continuidade da cadeia de fornecimento considerada essencial para as operações do grupo.

Como garantia, será constituída uma estrutura de cessão fiduciária de recebíveis provenientes de contratos da rede credenciada da companhia com operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras.

A efetivação da operação ainda depende da assinatura dos documentos definitivos e do cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo a formalização de instrumentos entre as partes, definição do volume de recebíveis elegíveis e obtenção de anuências de operadoras e instituições envolvidas.

Mudanças na governança

No âmbito das condições estabelecidas pelos proponentes da operação, a companhia também comunicou mudanças em sua governança. O conselheiro e vice-presidente do Conselho de Administração, Bruno Lemos Ferrari, apresentou renúncia imediata ao cargo.

Para recompor o colegiado, foram nomeados Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK Capital, e Carlos Gil Ferreira, atual diretor-presidente da companhia, ambos com mandato até a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) marcada para 30 de abril de 2026.

Com a nova composição temporária, o conselho passa a contar com sete membros. A companhia destacou ainda o agradecimento a Bruno Ferrari por sua contribuição ao longo de 16 anos como fundador, acionista e administrador.

Mateus Bandeira, um dos novos integrantes, é formado em Informática pela Universidade Católica de Pelotas, com pós-graduações em Finanças pela FGV e Gestão de Sistemas pela UFRGS, além de MBAs e programas executivos em instituições como Wharton e Harvard. Atualmente, preside o conselho da CVC e integra conselhos de empresas como Vibra Energia, Sabesp e Intelbras, além de ter ocupado posições executivas e de governança em companhias como Oi.

Tutela cautelar e situação financeira

A companhia informou ainda que, nesta semana, ingressou em conjunto com afiliadas com uma ação de tutela cautelar em caráter antecedente junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Os pedidos liminares ainda aguardam análise.

A medida inclui solicitações para suspender, de forma liminar, os efeitos de cláusulas contratuais que possam antecipar o vencimento de dívidas, além de interromper a exigibilidade de obrigações vinculadas a determinados instrumentos financeiros e instituições credoras. Segundo a companhia, o objetivo é preservar sua estrutura financeira enquanto são avaliadas alternativas para o reequilíbrio de suas contas.

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Apesar da iniciativa judicial, a Oncoclínicas destacou que suas operações seguem normalmente e que mantém diálogo com credores para buscar uma solução equilibrada para todas as partes envolvidas.

Desempenho financeiro

A companhia encerrou 2025 com prejuízo líquido consolidado de R$ 1,38 bilhão, ante lucro de R$ 106,3 milhões em 2024. O resultado desconsidera efeitos não recorrentes e parte das operações hospitalares. Pelas demonstrações financeiras auditadas, o prejuízo contábil do exercício foi ainda maior, totalizando R$ 3,67 bilhões.

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