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Perdeu o brilho? Pandora muda estratégia após disparada do preço da prata

A joalheria dinamarquesa começará a vender versões banhadas a platina de suas pulseiras mais vendidas

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A Pandora projeta uma desaceleração das vendas neste ano e anunciou que vai pausar a recompra de ações, ao mesmo tempo em que acelera mudanças em seu portfólio de produtos para reduzir a exposição à volatilidade dos preços da prata.

A joalheria dinamarquesa começará a vender versões banhadas a platina de suas pulseiras mais vendidas, uma iniciativa voltada a limitar o impacto de uma alta histórica da prata. Isso porque a sua principal matéria-prima mais do que dobrou de preço em 2025 e pressionou os custos. A transição terá início no próximo ano e faz parte de um plano mais amplo para reduzir a dependência de um único metal.

“Com essa inovação, conseguimos lidar com a nova realidade dos custos de matérias-primas ao mesmo tempo em que oferecemos aos consumidores joias em metais preciosos excepcionalmente adequadas para o uso diário”, disse a diretora-executiva, Berta De Pablos-Barbier, que assumiu o cargo em janeiro. Segundo ela, nenhuma empresa pode se dar ao luxo de depender excessivamente de um único insumo, dado o risco envolvido.

Dificuldade no mercado americano

A Pandora, que vende pulseiras de prata com pingentes a partir de US$ 70 no Estados Unidos e também comercializa joias com diamantes cultivados em laboratório produzidas em suas próprias fábricas na Tailândia, enfrenta ainda pressões adicionais vindas de tarifas impostas pelos Estados Unidos e da redução dos gastos por consumidores de menor renda.

Para 2026, a empresa projeta que as vendas orgânicas cresçam no máximo 2% em um cenário favorável e, no pior caso, recuem até 1%, o que representaria a primeira queda desde a pandemia. O guidance ficou abaixo do consenso dos analistas, que previa crescimento de 3,9%.

“A perspectiva macroeconômica para 2026 e o ambiente geral do consumidor estão associados a um elevado grau de incerteza”, afirmou a companhia em comunicado. A Pandora espera uma margem operacional (EBIT) entre 21% e 22% em 2026, abaixo dos 23,9% registrados em 2025. Segundo a empresa, a compressão das margens será mais perceptível no primeiro trimestre, com recuperação gradual ao longo do restante do ano.

As recompras de ações só devem ser retomadas após avanços concretos na estratégia de diversificação de materiais, incluindo a ampliação do uso do banho de platina.

No quarto trimestre, a Pandora reportou crescimento orgânico de vendas de 4%, desacelerando frente aos 11% registrados no mesmo período do ano anterior, mas em linha com as estimativas dos analistas, de acordo com pesquisa divulgada pela própria empresa.

As ações acumulam queda expressiva de 28% desde o início do ano, refletindo preocupações com custos elevados, demanda mais fraca e o ritmo de transição estratégica da companhia.

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