No mesmo ato, a estatal notificou a Novonor — ex-Odebrecht, em recuperação judicial — de que não exercerá os direitos de preferência e de tag along previstos no acordo anterior, liberando o caminho para a transferência das ações.
O novo pacto estabelece controle compartilhado entre Petrobras e o FIP. O acordo prevê consenso obrigatório em todas as deliberações do conselho de administração e da assembleia geral, além de direito igual de indicação de membros para o conselho e a diretoria estatutária pelas duas partes.
A Petrobras mantém sua participação de 36,1% no capital total da Braskem, equivalente a 47% do capital votante.
Do outro lado, o FIP Shine passará a deter 50,11% das ações ordinárias e 13,69% das ações preferenciais, representando cerca de 34,32% do capital total.
Em paralelo, as duas partes apresentarão proposta de um novo estatuto social para a Braskem.
Nova gestão já tem nomes
O plano é que um novo conselho e uma nova diretoria sejam eleitos já na assembleia de acionistas do dia 29 de abril. A tendência é que os cargos de CEO e CFO sejam ocupados por profissionais ligados à gestora, enquanto as diretorias de operação e comercial venham de indicações da Petrobras.
A presidência do conselho deverá ser indicada pela estatal — um dos nomes ventilados é o da atual CEO Magda Chambriard.
O novo CEO será Helcio Tokeshi, sócio da IG4, economista de formação e ex-secretário da Fazenda de São Paulo entre 2016 e 2018, com passagem pelo Banco Mundial. Mais recentemente, comandou a CLI, braço de logística portuária da gestora.
A diretoria financeira deverá ficar com Carlos Brandão, que liderou a Iguá Saneamento e foi CFO da Oi durante uma das maiores recuperações judiciais da história corporativa brasileira.
O tamanho do desafio
A nova gestão herda uma empresa sob forte pressão financeira. A dívida líquida da Braskem encerrou 2025 em US$ 7,5 bilhões, e o endividamento bruto corporativo soma US$ 9,4 bilhões.
Diante das dificuldades em honrar compromissos nos próximos meses, a tendência é que a empresa busque um acordo de suspensão de pagamentos (standstill) com a maioria dos credores, abrindo caminho para uma recuperação extrajudicial nos moldes da Raízen. Uma recuperação judicial ainda não está totalmente descartada.
A previsão é que a nova diretoria tome posse no fim de abril e já apresente um plano de reestruturação. Segundo fonte próxima à companhia, a mensagem aos credores é direta: “Nenhum credor vai levar a Braskem. Nem aqui no Brasil e nem no México.”
O contexto da operação
O contrato de compra judicial das ações foi firmado em 20 de abril entre o FIP Shine e a NSP Investimentos, subsidiária da Novonor. Todas as aprovações regulatórias necessárias já foram obtidas — antitruste do Brasil, México, Estados Unidos, União Europeia e o aval sob o Foreign Subsidies Regulation (FSR) da Comissão Europeia, concluído também em 20 de abril.
Restam pendentes as autorizações judiciais no âmbito da recuperação judicial da Novonor.
A IG4 também se comprometeu a lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar até a totalidade das ações ordinárias e preferenciais em circulação da Braskem.
