A Petz e a Cobasi reduziram suas previsões de ganhos financeiros com a fusão concluída no início deste ano. A empresa combinada projetou nesta sexta-feira (30) que o incremento no resultado operacional (Ebitda) deverá ficar entre R$ 200 milhões e R$ 260 milhões por ano, com captura integral das sinergias apenas no quinto ano após a combinação, no fim de 2030.
“Esse intervalo acabou sendo reduzido em função do impacto que já calculamos em relação aos desinvestimentos”, disse o executivo durante a primeira teleconferência da nova empresa com analistas de mercado.
O segundo fator, prossegue Leite, foi o intervalo entre o anúncio e a conclusão da operação. Nesse período, Petz e Cobasi continuaram a executar iniciativas próprias de eficiência, o que diminuiu o volume de ganhos que poderiam ser capturados como sinergias adicionais da fusão.
Pelas estimativas apresentadas nesta sexta-feira, a captura de sinergias começa de forma conservadora, em até 10% no primeiro ano, avança para cerca de 70% no terceiro e só atinge 100% no quinto ano.
Aproximadamente 80% das sinergias deverá vir da redução de custos e despesas, e não do aumento de receita, com a integração de sistemas apontada como uma das principais alavancas desses ganhos. “Tenho absoluta consciência de que a maioria das fusões não falha no valuation, mas na execução”, afirmou o CEO do grupo, Paulo Nassar, da família fundadora da Cobasi.
Sem ‘megastores’
A Petz-Cobasi nasce como a maior varejsta do setor pet. No acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2025, a empresa combinada soma R$ 7,7 bilhões de receita bruta e R$ 587 milhões de Ebitda ajustado. A operação reúne pouco 521 lojas e cerca de 15 mil colaboradores.
Na estratégia, a companhia repete que a rede física é peça central do modelo digital. A penetração digital supera os 40% e, segundo a companhia, 95% das vendas digitais são atendidas “no chão de loja”, com as unidades funcionando como hubs para entrega e retirada.
A avaliação do CEO é de que a operação do grupo deve ser de um “varejo afetivo”, criando um ecossistema que tenha recorrência e fidelidade. A expansão de lojas entra nesse mesmo raciocínio. Nassar afirma que o grupo diz que vem testando formatos menores do que as megastores pelas quais se consolidaram.
“Não somos mais uma rede de megastores”, afirmou Nassar. Segundo ele, as inaugurações recentes das duas redes têm privilegiado lojas menores, o que reduz custo de ocupação e despesas operacionais sem abandonar a proposta de experiência.
No caso específico da Cobasi, o CEO atribuiu a melhora de margem em 2025 a iniciativas próprias, como a centralização de compras e entregas no centro de distribuição — movimento que permitiu renegociar condições com fornecedores e capturar “descontos logísticos” — além de projetos internos de automação e produtividade.
Marca própria como estratégia
Outra alavanca destacada foi marca própria. Há uma assimetria entre as bandeiras: a Petz tem 14% de penetração e a Cobasi, 7% – o que deve ser melhor distribuído ao longo da integração. A diretoria afirma que esses produtos carregam margem bruta de 5 a 10 pontos percentuais acima de itens comparáveis de marcas tradicionais e coloca a expansão como parte da agenda para elevar rentabilidade.
Em serviços, a aposta é ampliar a penetração dentro da base de lojas e clientes. Rafael Siqueira, diretor financeiro e de relações com investidores, afirma que Petz e Cobasi testaram modelos diferentes nos últimos anos, de terceirização e sublocação de espaço a estruturas mais verticalizadas, e que a diretoria passou a favorecer um desenho em que o operador tenha incentivo direto no resultado.
“O modelo que é mais vencedor é aquele em que você tem o profissional dono do seu faturamento”, disse. Segundo ele, a Cobasi vem operando esse formato com sucesso via franquias e ainda há espaço para expansão: das 258 lojas, 130 já têm serviços.
Siqueira acrescenta que clientes que usam serviços aumentam a recorrência e, na média, gastam de três a quatro vezes mais em produtos. Como referência externa, ele citou companhias em que serviços chegam a 10% a 15% do negócio.
O roteiro de execução, porém, depende de uma integração que a própria diretoria trata como trabalho de médio prazo. Leite aponta três riscos principais: pessoas, tecnologia e processos. Na frente sistêmica, a companhia trabalha com horizonte de 24 a 30 meses para integração de sistemas — um dos pontos que tende a destravar eficiência em logística, dados, sortimento e execução dos diferentes canais de venda.
Governança
Na empresa combinada, Sergio Zimerman, fundador da Petz passou a ser o presidente do conselho de administração. Zimerman detém 20,2% do capital da Petz-Cobasi. O bloco de controle é liderado pelos irmãos Paulo, João e Ricardo Nassar, fundadores da Cobasi, que somam 46,7% das ações, ao lado da Kinea, gestora que investiu na Cobasi em 2021 e hoje possui 8,5% do capital.
O conselho de administração reúne os três irmãos Nassar, Tania Zimerman, irmã do fundador da Petz e sócia na construção do negócio nos primeiros anos, e Cristiano Lauretti, sócio da Kinea. O colegiado conta ainda com três membros independentes: Eduardo Terra, Germán Quiroga e Claudio Ely.
