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Por que as ações da Intel estão se aproximando dos níveis da era da bolha pontocom

O otimismo do mercado reflete avanços do CEO Lip-Bu Tan na reestruturação da Intel, com foco em capturar a crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial

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As ações da Intel estão a caminho de atingir seu maior nível histórico, impulsionadas por uma projeção de receitas que superou amplamente as expectativas de Wall Street e reforçou a confiança no processo de recuperação da fabricante de chips.

A companhia informou que espera faturar entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões no trimestre encerrado em junho. O número ficou bem acima da estimativa média de analistas, de cerca de US$ 13 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Com o anúncio, os papéis da empresa chegaram a subir até 31% no pré-mercado na sexta-feira, abrindo caminho para superar o pico registrado há cerca de 26 anos, durante a era da bolha pontocom. As ações já acumulavam alta de 81% no ano antes da divulgação do balanço.

Reestruturação

O otimismo do mercado reflete a percepção de que o CEO Lip-Bu Tan está avançando em seu plano de reestruturação, focado em reposicionar a Intel para se beneficiar da crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

Investimentos estratégicos realizados no ano passado ajudaram a reforçar o balanço da companhia, enquanto a gestão agora busca melhorar eficiência operacional e capacidade produtiva.

“Todos estão começando a direcionar pedidos para a Intel, e acho que estamos nos estágios iniciais disso”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital e investidor da empresa, à Bloomberg TV. “Passamos de um cenário de desânimo para euforia em um curto período de tempo.”

O avanço também reflete o impacto do crescimento da demanda por chips de data centers voltados a aplicações de IA. Segundo a empresa, há forte procura pelos processadores Xeon, usados em servidores, que voltaram ao centro da estratégia da Intel em meio à corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

Em entrevista, Tan afirmou que a empresa teve um “resultado sólido” e que a demanda por processadores segue acelerando. No entanto, ele destacou que a Intel ainda enfrenta limitações de capacidade produtiva.

“Há uma demanda enorme. Estamos trabalhando muito para entregar, mas ainda estamos aquém porque a demanda continua crescendo”, afirmou.

A companhia também afirmou que está lidando com a escassez de chips de memória que afeta a indústria de PCs e servidores, o que tem pressionado a produção global de dispositivos.

Outro ponto de destaque foi o reforço do balanço financeiro por meio de investimentos externos. A Intel chegou a recomprar participação em uma fábrica na Irlanda que havia sido vendida anteriormente para levantar capital, movimento visto pelo mercado como sinal de confiança na retomada.

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No campo estratégico, a empresa também ganhou atenção após declarações do CEO da Tesla, Elon Musk, indicando que poderá utilizar tecnologia da Intel em um projeto de fabricação de chips próprio.

Em termos financeiros, a Intel projeta lucro ajustado de cerca de 20 centavos por ação no segundo trimestre, acima da estimativa de 9 centavos do mercado. No primeiro trimestre, a receita subiu 7%, para US$ 13,6 bilhões, também acima das projeções.

Apesar da melhora recente, a empresa ainda enfrenta desafios para recuperar sua antiga posição dominante no setor de semicondutores, especialmente na corrida por chips de inteligência artificial, hoje liderada pela Nvidia.

“Hoje a Intel é uma empresa fundamentalmente diferente”, disse Tan. “A conversa deixou de ser sobre sobrevivência e passou a ser sobre a velocidade com que conseguimos ampliar capacidade e atender à demanda.”

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