Os credores também pedem que Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan, seja substituído como presidente do conselho da Raízen como parte do acordo de reestruturação, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de um assunto privado.
Raízen, Cosan e Ometto não quiseram comentar.
Os credores querem ter mais influência na gestão da gigante de biocombustíveis, já que podem se tornar acionistas relevantes por meio de uma possível troca de dívida por participação (debt-for-equity swap), disseram as fontes neste mês. Eles pedem uma fatia de até 90% da empresa em troca de 45% de sua dívida no processo de reestruturação.
A nova proposta deve enfrentar resistência. Em reuniões de alto nível em New York na semana passada, os controladores Shell e Cosan resistiram a pedidos por mais aportes, segundo pessoas com conhecimento do assunto. A Shell não quis comentar.
Reestruturação extrajudicial
A Raízen entrou com um pedido de reestruturação extrajudicial em março, com uma dívida de 65 bilhões de reais. Desde então, a empresa vem negociando com credores um acordo mais amplo para evitar recorrer à recuperação judicial. As partes têm até 6 de junho, prazo legal, para chegar a um acordo extrajudicial com apoio suficiente de detentores de títulos e bancos.
A Shell concordou em março em injetar 3,5 bilhões de reais como parte da reestruturação, enquanto Ometto se comprometeu com outros 500 milhões de reais. No início deste mês, a empresa apresentou aos credores uma proposta que lhes daria até 70% das ações ordinárias da Raízen.
A companhia vem sendo pressionada por juros elevados, grandes investimentos que ainda não geraram retorno e desafios operacionais em suas divisões de açúcar e etanol, o que resultou em uma série de resultados abaixo do esperado.
As dificuldades ocorrem em meio a uma sequência de casos de estresse financeiro que têm afastado investidores da dívida corporativa brasileira. Nas últimas semanas, a rede de supermercados GPA também entrou com pedido de reestruturação extrajudicial, enquanto as empresas de saúde Alliança Saúde e Oncoclínicas buscaram proteção judicial temporária contra credores.
Outras companhias, como Braskem e a Kora Saúde Participações, controlada pela HIG Capital, também avaliam medidas de reestruturação, segundo pessoas com conhecimento do assunto.
