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Raízen corre para obter apoio de credores enquanto detentores de bonds resistem

Raízen busca apoio de bancos e debenturistas para avançar com plano de dívida, apesar da resistência de credores no exterior

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A Raízen está considerando seguir adiante com um plano de reestruturação de dívida apesar da oposição de detentores de bonds no exterior, calculando que tem apoio suficiente de credores bancários e detentores locais de dívida para obter aprovação da maioria, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Pelas regras brasileiras de recuperação extrajudicial, as empresas precisam obter a concordância de titulares de mais de 50% da dívida para aprovar um plano. Os bancos representam 36% da dívida aplicável em uma eventual reestruturação da Raízen, enquanto os detentores das chamadas debêntures têm 22%, segundo uma das pessoas. Isso seria suficiente para avançar com a proposta atual, desde que não haja muitas deserções nesses grupos.

Um caminhão da Shell se prepara para abastecer no centro de distribuição da Raízen em São Paulo, em 12 de fevereiro.

A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março, com uma dívida de R$ 65 bilhões, consequência de algumas apostas frustradas em etanol e combustível de aviação, além de juros elevados e safras mais fracas do que o esperado. Desde então, a companhia de açúcar e combustíveis vem negociando com credores para fechar um acordo de reestruturação e evitar ter de pedir recuperação judicial.

Os detentores de bonds no exterior continuam resistindo em busca de termos melhores, incluindo as condições da nova dívida que substituiria os títulos atuais, disseram as pessoas, que pediram anonimato para discutir informações privadas.

A companhia enfrenta um prazo legal até 8 de junho para chegar a um acordo extrajudicial. Do ponto de vista de um grupo de detentores de bonds no exterior, a probabilidade de um pedido de recuperação judicial está aumentando, disse uma pessoa próxima a eles.

A proposta atual em discussão prevê a conversão de pelo menos 45% da dívida em ações, o que deixaria os credores com 75% a 85% da companhia, disseram duas das pessoas. Também haveria um comitê de credores para comandar a empresa, liderado pelo diretor financeiro da Raízen, Lorival Nogueira Luz Jr., acrescentou uma pessoa.

A Raízen não quis comentar.

O bilionário Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen, havia oferecido aportar R$ 500 milhões, ou US$ 100 milhões, em capital novo na reestruturação, mas os credores rejeitaram sua insistência em permanecer como presidente do conselho, disseram as pessoas. Agora é improvável que ele faça uma contribuição de capital relevante, e a proposta atualmente sobre a mesa não inclui seus recursos, acrescentaram.

Ometto está considerando adquirir parte do portfólio de terras agrícolas da Radar, unidade de gestão de terras da Cosan, o que provavelmente limitaria sua capacidade de aportar capital na Raízen, informou a Bloomberg no início desta semana. Ometto não quis comentar.

A Shell, que é coproprietária da Raízen por meio de uma joint venture com a Cosan, de Ometto, manteve o compromisso de aportar R$ 3,5 bilhões em capital novo em uma reestruturação.

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Em fevereiro, a S&P cortou a nota da companhia em sete níveis, no que foi descrito como um dos maiores rebaixamentos já feitos pela agência para uma empresa brasileira. A Fitch Ratings rebaixou a nota em oito níveis.

Durante reuniões com credores depois do pedido de recuperação extrajudicial da companhia, os acionistas controladores resistiram às demandas dos credores para injetar mais capital no negócio do que estavam dispostos a aportar, enquanto os credores pressionaram por mudanças de governança, incluindo a saída de Ometto, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

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