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Raízen cita risco de ‘efeito dominó’ de R$ 60 bilhões em dívidas e bloqueio do caixa

Empresa diz que cláusulas contratuais poderiam antecipar dívidas e permitir captura de caixa

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A Raízen afirma que recorreu ao pedido de recuperação extrajudicial para evitar um efeito dominó em sua estrutura de dívida que poderia antecipar o vencimento de mais de R$ 60 bilhões em obrigações financeiras.

Em petição apresentada à Justiça nesta quarta-feira (11), a companhia controlada por Shell e Cosan afirma que diversos contratos de financiamento possuem cláusulas de cross-default, que permitem a credores declarar vencimento antecipado caso haja descumprimento de qualquer obrigação relevante do grupo.

Com cerca de R$ 70 bilhões em dívida bruta, a empresa incluiu na reestruturação aproximadamente R$ 65,1 bilhões em créditos para renegociação. Ainda segundo o documento, a aceleração dessas cláusulas poderia atingir grande parte da dívida financeira da empresa, no Brasil e no exterior.

Risco ao caixa

A companhia também alertou para o risco de que algumas instituições financeiras utilizem mecanismos contratuais de compensação para reter recursos diretamente das contas do grupo.

A Raízen afirma que esses dispositivos poderiam levar à retenção de até R$ 8 bilhões em caixa, pressionando sua liquidez durante as negociações com credores. De acordo com o balanço mais recente, a empresa tinha R$ 17,3 bilhões em caixa e equivalentes, como aplicações com liquidez imediata.

A pressa em protocolar o pedido também teve relação com um compromisso financeiro iminente. A empresa teria que pagar cerca de R$ 1 bilhão em juros de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) nesta sexta-feira (12), como mostrou o Pipeline.

No pedido judicial, a companhia afirma que a suspensão temporária de execuções e vencimentos antecipados é necessária para preservar caixa enquanto negocia a reestruturação do passivo.

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