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Raízen propõe converter dívida e pode ceder até 70% do controle da empresa a credores

Plano para reestruturar quase US$ 13 bilhões em dívida será discutido com credores na próxima semana

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A Raízen apresentou aos credores detalhes de seu plano para reestruturar US$ 12,6 bilhões em dívida, que inclui um período de carência de pelo menos cinco anos e prevê que eles assumam uma participação acionária relevante, além de maior influência na produtora de açúcar e etanol, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

A proposta, que será discutida na próxima semana em reuniões em Nova York, prevê a conversão de ao menos 45% da dívida em ações, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque as informações não são públicas.

Isso deixaria os credores com até 70% das ações ordinárias da Raízen, caso o papel seja precificado em cerca de 40 centavos, acrescentaram, observando que o valor ainda não é definitivo. Atualmente, a ação é negociada em torno de 50 centavos.

O plano reduziria a alavancagem da companhia para entre 3 e 3,5 vezes o Ebitda, ante 5,3 vezes atualmente, e abriria caminho para uma eventual separação entre a unidade de açúcar e etanol dos negócios de distribuição de combustíveis. A primeira teria oito anos para começar a amortizar o principal de suas dívidas pendentes, enquanto a segunda teria cinco anos, disseram as pessoas.

Os credores poderiam indicar três dos sete membros do conselho de administração da companhia, enquanto a Shell indicaria os outros quatro, acrescentaram.

A Raízen e a Cosan — que divide o controle da empresa com a Shell — não quiseram comentar. A Shell não respondeu a um pedido de comentário.

Alguns detalhes da proposta foram divulgados inicialmente pelos veículos O Globo e The AgriBiz.

No mês passado, a Raízen fechou um acordo para iniciar uma reestruturação extrajudicial de dívida de cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12,6 bilhões). Na ocasião, credores que detêm 47% da dívida da companhia concordaram com as negociações, dando tempo à empresa em dificuldades para obter adesão de outros credores a um plano mais abrangente.

A Shell, que divide o controle da Raízen com o conglomerado brasileiro Cosan, já concordou em injetar R$ 3,5 bilhões na companhia. Embora a Cosan não esteja mais em negociações com a petroleira para resgatar a empresa, seu fundador, Rubens Ometto, também concordou em aportar outros R$ 500 milhões na joint venture.

Em troca de sua contribuição, Ometto busca manter sua posição como presidente do conselho por um período prolongado, disseram as pessoas. Ele também pressiona pela inclusão de uma cláusula de “poison pill”, acrescentaram.

Antes uma das principais produtoras de biocombustíveis do Brasil, a Raízen vem sendo pressionada por juros elevados, safras mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram retorno. As dificuldades reduziram seu fluxo de caixa e elevaram sua dívida. À medida que as negociações entre acionistas por um resgate se arrastavam, os títulos caíram para níveis de estresse. Quando contratou assessores para otimizar sua estrutura de capital, agências de classificação de risco rebaixaram a empresa do grau de investimento para níveis profundos de grau especulativo, o que ampliou ainda mais as perdas nos papéis.

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