A Raízen informou nesta sexta-feira (29) a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, no município de Rio Brilhante (MS), para a Cocal Agroindústria. A operação soma R$ 1,54 bilhão, incluindo os ativos e investimentos em manutenção de entressafra deste ano.
A venda das usinas em Mato Grosso do Sul era uma expectativa do mercado, como antecipado pelo InvestNews. Com uma dívida de R$ 49 bilhões, a companhia identificou ao menos R$ 15 bilhões em ativos a serem desinvestidos. O objetivo principal é vender a operação na Argentina, mas o que se mostra mais viável é a venda de algumas usinas pelo Brasil e é nessa lógica que o anúncio de hoje se encaixa.
A empresa vem recalibrando o portfólio em dois blocos: vendendo ativos deficitários — onde ociosidade e custo fixo drenavam caixa — e vendendo ativos que não fazem mais sentido no desenho de clusters (conjunto de usinas próximas).
Em alguns casos, a negociação envolve a indústria mais a produção de cana; em outros, apenas a cana. Com isso, a Raízen consegue melhorar a capacidade por usina.
No caso das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, o InvestNews apurou que a ociosidade estava perto de 30%, um patamar elevado comparado com a ociosidade em torno de 18% do total do negócio da Raízen. Esse indicador, aliás, deve melhorar com a saída dos dois ativos.
Agora, investidores e analistas ouvidos pela reportagem acreditam que usinas na divisa entre São Paulo e Minas Gerais também fariam sentido de venda.
Após a conclusão desta Operação e das demais já anunciadas, a Raízen passará a operar um portfólio de 25 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 75 milhões de toneladas por safra.
A operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).