As conversas, confirmadas publicamente no início de janeiro, esbarraram principalmente no preço e nos termos de governança. A Rio Tinto queria manter os cargos de presidente do conselho e de diretor-presidente no grupo combinado, além de não oferecer um prêmio considerado suficiente pela Glencore, que avaliou que esses termos subestimavam seu negócio de cobre e sua contribuição para a companhia resultante da fusão.
Após conduzir a due diligence sobre os ativos e operações da Glencore, a Rio Tinto concluiu que não conseguiria entregar valor aos seus acionistas pagando o prêmio solicitado. “A Rio Tinto determinou que não poderia chegar a um acordo que gerasse valor para seus acionistas”, disse a companhia em comunicado. Ambas as empresas se recusaram a comentar os detalhes das negociações.
Com o fim das tratativas, as ações da Glencore chegaram a cair até 11%, enquanto os papéis da Rio Tinto recuaram cerca de 2,5%. A Glencore afirmou separadamente que mantém um forte caso de crescimento independente e segue focada em suas próprias prioridades estratégicas.
Combinações de negócios
A ideia de uma combinação entre as duas companhias circula há mais de uma década. Ela surgiu antes da crise financeira global de 2008, foi retomada em 2014 — quando a Rio rejeitou rapidamente uma abordagem informal da Glencore — e voltou à mesa em 2024, até ganhar novo fôlego nas negociações mais recentes. Mesmo assim, as conversas sempre enfrentaram obstáculos ligados a valuation e diferenças de cultura de gestão.
Um eventual acordo permitiria à Rio Tinto praticamente dobrar sua produção de cobre, posicionando-a como a maior produtora global do metal em um momento em que os preços operam próximos de máximas históricas. A transação também adicionaria cerca de 1 milhão de toneladas de crescimento futuro de cobre ao portfólio da empresa.
Como outras grandes mineradoras, a Rio Tinto tem priorizado a expansão no cobre, apostando na forte demanda impulsionada pela transição energética, pela eletrificação de veículos e pela expansão de data centers. A corrida por ativos do metal tem levado o setor a retomar grandes aquisições após anos de cautela, já que comprar empresas costuma ser mais rápido do que desenvolver novas minas, um processo que pode levar décadas.
O apetite por negócios no setor cresceu de forma significativa: o valor das fusões e aquisições em mineração atingiu o maior nível em 13 anos em 2025, segundo o escritório White & Case, após um longo período de retração desde o pico do superciclo de commodities liderado pela China em torno de 2011.
