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Robinhood, corretora americana, permitirá que IA opere ações para clientes

Robinhood permitirá que clientes usem agentes de IA para investir e fazer compras sozinhos

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A Robinhood Markets, corretora americana que popularizou investimentos sem taxa de corretagem entre investidores de varejo nos Estados Unidos, permitirá em breve que clientes instruam agentes de inteligência artificial a negociar ações e fazer compras em seus cartões de crédito por eles. Um novo passo da empresa na incorporação de IA aos serviços financeiros.

A empresa anunciou o lançamento de contas de negociação “agênticas”, nas quais usuários poderão conectar ferramentas de IA como Claude, da Anthropic, ou o agente de programação Cursor a uma conta separada da carteira principal do cliente. O modelo permite limitar o acesso do agente apenas aos recursos depositados nessa conta específica.

Os investidores poderão orientar os agentes a executar tarefas como montar uma carteira diversificada, monitorar riscos de concentração em determinados setores ou acompanhar ações promissoras, como empresas de semicondutores. Em um exemplo citado pela Robinhood, um usuário poderia pedir ao agente para investir US$ 100 analisando rodadas de captação, atividade de fusões e avaliações de startups para identificar tendências antes que elas cheguem aos mercados públicos.

“Esses agentes de IA para consumidores começaram a negociar no mercado”, disse Abhishek Fatehpuria, vice-presidente de gestão de produtos da Robinhood. “O que aprendemos conversando com nossos clientes é que eles querem dar aos agentes o poder da Robinhood, mas de uma forma muito segura.”

Inicialmente, os agentes poderão operar apenas ações. Segundo executivos da empresa, suporte para opções, criptomoedas, contratos de eventos e futuros será adicionado posteriormente. Os usuários receberão notificações sempre que um agente realizar uma operação e poderão acompanhar as atividades em tempo real no aplicativo. Também será possível desconectar o agente a qualquer momento.

A Robinhood também permitirá que clientes conectem agentes de IA a versões virtuais de seus cartões Robinhood Gold. Com isso, os agentes poderão procurar preços baixos, monitorar disponibilidade de produtos e até concluir compras automaticamente dentro de parâmetros definidos pelo usuário.

Segundo Deepak Rao, vice-presidente e gerente-geral da divisão Robinhood Money, o sistema poderá monitorar reservas disputadas em restaurantes, comprar passagens aéreas ou adquirir ingressos para espetáculos da Broadway dentro de limites de preço estipulados.

Os agentes terão acesso apenas ao cartão virtual e não poderão visualizar o número principal do cartão de crédito nem outras informações da conta. Os clientes poderão estabelecer limites de gastos ou exigir aprovação manual para cada compra.

Titulares do cartão Robinhood Gold terão acesso inicial ao recurso, enquanto clientes do futuro cartão Platinum serão incluídos posteriormente.

Assim como outras empresas do setor financeiro, a Robinhood vem acelerando a adoção de inteligência artificial em seus produtos. A empresa já lançou ferramentas de análise geradas por IA para carteiras, ações individuais e mercado em geral, incluindo o Robinhood Cortex, voltado para gestão de patrimônio.

A rival Charles Schwab também destacou recentemente o potencial da IA para tornar consultores financeiros mais eficientes e focados em demandas complexas dos clientes.

Apesar do avanço, ainda não está claro se investidores estarão confortáveis em delegar uma parcela significativa de suas decisões financeiras a algoritmos. Fatehpuria afirmou que a empresa pretende usar o lançamento para entender melhor o comportamento dos usuários antes de incorporar ferramentas semelhantes diretamente à plataforma principal da Robinhood.

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Quem é a Robinhood

A Robinhood foi fundada em 2013 por Vlad Tenev e Baiju Bhatt com a proposta de democratizar o acesso aos mercados financeiros. A corretora ficou conhecida por eliminar taxas de corretagem em operações com ações, movimento que pressionou gigantes tradicionais como Fidelity Investments a também zerarem suas comissões.

A empresa ganhou projeção global durante a pandemia, quando milhões de investidores individuais passaram a operar pelo aplicativo em meio ao boom das chamadas “meme stocks”, como GameStop, e à disparada do mercado de criptomoedas. O crescimento acelerado transformou o CEO Vlad Tenev em um dos rostos mais conhecidos da nova geração de plataformas financeiras voltadas ao varejo.

Hoje, a Robinhood oferece uma ampla gama de produtos, incluindo negociação de ações, opções, criptomoedas, contratos de previsão, cartões de crédito e serviços de gestão de patrimônio. A empresa tem concentrado esforços principalmente em investidores mais ativos — grupo que responde pela maior parte de sua receita — e vem apostando fortemente em inteligência artificial para ampliar a automação das operações financeiras.

A estratégia, porém, também gera críticas. Reguladores e especialistas acusam a plataforma de estimular comportamentos especulativos ao transformar investimentos em uma experiência parecida com aplicativos de apostas. Defensores da empresa argumentam que a Robinhood ajudou a tornar mais acessíveis produtos financeiros antes restritos a investidores profissionais e acelerou mudanças estruturais na indústria de corretagem dos Estados Unidos.

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