Um estudo da consultoria Spencer Stuart mostra que uma em cada nove companhias abertas dos EUA trocou de presidente executivo em 2025, o maior índice desde a crise financeira. Mais de 80% dos novos CEOs eram estreantes, e a idade média caiu para 54 anos.
O movimento continuou em 2026: só nas primeiras semanas do ano, gigantes como Walmart, Procter & Gamble, Disney e PayPal anunciaram mudanças no topo.
Para os conselhos de administração, a tolerância ao erro encolheu.
“Se o CEO não ganha tração operacional e junto aos investidores, os conselhos ficam ainda mais impacientes do que no passado”, diz James Citrin, chefe global da prática de CEOs da Spencer Stuart, em entrevista ao The Wall Street Journal.
O retrato dessa nova geração aparece nos primeiros dias de mandato. Michael Fiddelke assumiu o comando da rede de supermercados Target neste mês e, dias depois, precisou gravar um vídeo aos funcionários comentando tensões migratórias nos Estados Unidos — “não era a primeira mensagem que eu imaginava enviar”, disse ele.
Mas há também algumas trocas esperadas — como a sucessão de Warren Buffett, que entregou o comando da Berkshire Hathaway após seis décadas para Greg Abel. Outras foram abruptas. A varejista CarMax demitiu seu CEO em novembro, em meio a queda de vendas, encerrando um mandato de nove anos.
Cenário no Brasil
A fotografia americana reforça uma tendência que já aparece no Brasil. Estudo recente sobre o Ibovespa mostrou que quatro em cada dez empresas do índice trocaram de CEO nos últimos dois anos e meio, num ciclo marcado por custo de capital elevado, conselhos mais intervencionistas e foco em reestruturação, como mostrou o InvestNews.
Nos dois mercados, o padrão se repete: menos estabilidade, mandatos mais curtos e uma geração de executivos que assume sob pressão de reorganizar empresas num ambiente de tecnologia disruptiva, cadeias globais instáveis e crescimento mais lento.
A troca acelerada sugere que o cargo de CEO está entrando numa nova fase. Em vez de mandatos longos e previsíveis, o topo das corporações passa a operar sob ciclos mais curtos — e sob escrutínio constante.
