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‘Tamanho importa’: Sabesp coloca Copasa no radar e condiciona aquisições a negócios de grande porte

Interesse na Copasa surge enquanto Sabesp acelera investimentos e analistas passam a olhar a geração de caixa

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Após o primeiro ano completo pós-privatização, em que o novo comando da Sabesp acelerou investimentos, a empresa agora volta o olhar para aquisições – mas com um aviso: não entrará em qualquer negócio.

Size matters to us”, afirmou o CEO Carlos Piani durante a teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre, nesta terça-feira (17). Este foi o primeiro balanço anual com a Equatorial Energia assumindo o papel de acionista de referência da companhia.

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A principal dúvida do mercado é se a Sabesp irá participar – e com que intensidade – da privatização da estatal mineira Copasa, cujo processo deve ocorrer nas próximas semanas. O interesse surge em um momento em que a companhia acelera investimentos bilionários para universalização, pressionando o caixa e elevando o endividamento.

Piani reforçou que, dado o tamanho da Sabesp, apenas aquisições de grande porte fariam diferença para os acionistas. A Copasa, segunda maior empresa listada do setor, aparece como um alvo natural nesse contexto.

Investimentos

Mas a ambição de expansão esbarra em uma equação financeira mais apertada do que o discurso oficial sugere.

A Sabesp mais do que dobrou seu nível de investimentos em 2025, com capex de R$ 15,2 bilhões — um salto de cerca de 120% em relação ao ano anterior — e sinalizou que pode acelerar ainda mais esse ritmo nos próximos anos, inclusive antecipando projetos inicialmente previstos para ciclos futuros.

Ao mesmo tempo, a própria companhia reconheceu que o plano original de investimentos, estimado em R$ 70 bilhões (em valores de 2022), está sendo revisto e ainda depende de discussões com o regulador, podendo sofrer acréscimos.

Esse avanço do capex ocorre em um contexto de crescimento limitado de receita e aumento de obrigações sociais, como a expansão das tarifas subsidiadas, que já atendem cerca de 6 milhões de pessoas.

Estrutura de capital

Analistas reforçam uma leitura mais cautelosa sobre a evolução financeira da companhia. O Citi destacou que a Sabesp vem elevando sua alavancagem em meio ao ciclo acelerado de investimentos. O Itaú BBA apontou que o crescimento recente tem sido sustentado principalmente por ganhos de eficiência — e não por avanço de receitas — o que tende a limitar a geração de caixa no curto prazo.

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O CFO Daniel Szlak afirmou que a Sabesp tem uma estrutura de capital fortalecida e alavancagem de 2,2 vezes o resultado operacional (Ebitda), a companhia já começa a consumir mais recursos para sustentar o ciclo de investimentos.

No quarto trimestre, a Sabesp reportou receita líquida ajustada de R$ 5,7 bilhões, alta de 2,1% na comparação anual, enquanto o Ebitda cresceu 13%, para R$ 3,4 bilhões. O lucro líquido ajustado ficou praticamente estável, em cerca de R$ 1,9 bilhão. No acumulado de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 6,3 bilhões, avanço de 22% em relação ao ano anterior.

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