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Sem a Raízen, Femsa diz que vai voltar ao ritmo de um Oxxo em cada esquina

No quarto trimestre, vendas em mesmas lojas cresceram 18,3%; expansão deve continuar concentrada em São Paulo e plano é chegar a mil lojas

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As lojas da Oxxo começaram no Brasil espalhando-se como Gremlins, a partir de 2020. A multiplicação diminuiu de ritmo nos útimos meses, com o processo de separação dos sócios por trás da empreitada: a Raízen, em estado crítico, e a mexicana Femsa.

A Femsa é criadora do Oxxo, que começou no México e espalhou-se também por Colômbia, Peru e Chile, além do Brasil. Agora, ela toca sozinha o tentáculo verde e amarelo da operação.

E diz estar confiante de que pode acelerar as inaugurações no país. Ao fim de 2025, a Oxxo tinha 607 lojas espalhadas por 24 cidades do Estado de São Paulo. A direção da companhia afirmou a analistas nesta quarta (25) que pretende inaugurar 100 lojas em 2026 – todas (ainda) em SP. Numa “segunda fase”, a companhia deve abrir uma loja por dia, segundo o CEO, Jose Garza-Lagüera. 

A expansão é relevante na estratégia, segundo a Femsa, para ajudar a operação do Oxxo finalmente chegar ao breakeven. “Não temos um número exato preciso de quantas lojas precisamos ter para um breakeven, mas provavelmente seja em torno de 1 mil lojas.”

Na prática, porém, a operação nunca saiu do vermelho, como o InvestNews mostrou em primeira mão ainda no ano passado. Depois de registrar lucro de R$ 69,9 milhões no ano contábil 2019-2020, quando operava apenas as lojas Shell Select, o Grupo Nós acumulou prejuízo líquido de R$ 165,7 milhões no exercício 2022-2023, o mais recente divulgado pela companhia.

O executivo ressalta que o salto depende de dois desafios: seguir acelerando as vendas em mesmas lojas a um nível que permita absorver de fato os custos dentro da operação e capturar oportunidades na estrutura de custos em comparação com a Colômbia.

A empresa afirma que indicadores operacionais como rotatividade e custos de contratar e demitir vêm melhorando “de forma dramática” mês a mês e aponta que, com a operação estabilizada — incluindo a meta de operar com cerca de sete funcionários líquidos por loja —, será possível entender o real tamanho do negócio no país, se de 10 mil ou de 5 mil lojas. 

Hoje, a companhia cita margem bruta ao redor de 38% e destaca como apostas as categorias de alimentos e café, com margens fortes e boa aceitação do público – com “muitos e muitos de pães de queijo vendidos” –, além do consumo por impulso ligado a encontros e compra de cerveja. Cerca de 20% das vendas das lojas vêm da parte de alimentação. 

Em paralelo, a companhia está começando a testar no Brasil serviços comuns no México, como cartões-presente para jogos e outros varejistas, por exemplo, para ampliar a proposta de valor.

A Femsa não abre o resultado líquido do Grupo Nós em 2025. No quarto trimestre, a receita cresceu 28,7%, com aumento de 18,3% nas vendas em mesmas lojas (unidades com pelo menos um ano de operação). A empresa fechou duas lojas no trimestre, que integram a primeira leva de lojas abertas. 

Nova fase sem sócio

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De acordo com o executivo, foi “ótimo ter um parceiro nos primeiros anos”, o que garantiu confiança e segurança, nas palavras dele, “Nos deu um tipo de ‘treinamento’ sobre como construir, obter licenças e essas coisas. Mas agora estamos muito empolgados porque estamos prontos para seguir sozinhos, e o potencial que enxergamos ainda é enorme.”

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