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Enter, que ajuda empresas na defesa jurídica com IA, já vale US$ 1,2 bilhão e vira unicórnio

Startup usa IA para ajudar empresas como Airbnb e Latam a gerenciar alto volume de processos trabalhistas e de consumidores no Brasil

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A Enter, uma startup brasileira de inteligência artificial voltada ao setor jurídico, triplicou sua avaliação para US$ 1,2 bilhão em uma nova rodada de financiamento, entrando para o grupo de elite das empresas de IA na América Latina.

O Founders Fund, de Peter Thiel, liderou um aporte de US$ 100 milhões na empresa, com participação de outros investidores, incluindo a Sequoia Capital e a Ribbit Capital. Sequoia e Founders Fund já haviam co-liderado uma rodada anterior na Enter no ano passado.

Processos de consumidores

A startup, sediada em São Paulo, desenvolve tecnologia de IA para ajudar empresas, incluindo o Airbnb e a Latam Airlines, a lidar com o grande volume de processos de consumidores e trabalhistas em um país conhecido por estar entre os mais litigiosos do mundo. O objetivo é usar IA para conduzir todo o processo de litígio, do início ao fim.

“Cada etapa que você pode imaginar em um processo judicial é primeiro tratada por um agente de IA antes de envolver um humano”, disse Mateus Costa-Ribeiro, cofundador e CEO da Enter, que também foi uma das pessoas mais jovens a passar no exame da ordem de advogados em Nova York.

Ele fundou a empresa em 2023 com Michael Mac-Vicar e Henrique Vaz, ex-executivos da Wildlife Studios.

A Enter faz parte de uma nova leva de startups de IA que vêm atraindo investidores ao focar no setor jurídico. A americana Harvey foi recentemente avaliada em US$ 11 bilhões, enquanto a sueca Legora atingiu US$ 5,5 bilhões. Desenvolvedores líderes de IA, como a Anthropic, também estão expandindo para serviços jurídicos.

Costa-Ribeiro vê uma oportunidade clara de focar no Brasil e transformar a Enter em uma “força monopolística” de IA jurídica na América Latina.

O sócio do Founders Fund Matias Van Thienen reforçou a visão, dizendo que o investimento é uma aposta na vantagem da empresa em um ambiente altamente litigioso. “Nos sentimos muito confortáveis em dominar o Brasil”, afirmou.

A tecnologia da Enter pode fazer desde redigir uma petição inicial até calcular o custo de um acordo judicial e pesquisar condições climáticas citadas em ações — como em casos de voos cancelados.

“A parte mais difícil é garantir que estamos integrados a todas as fontes de informação necessárias para análise”, disse Costa-Ribeiro. A empresa utiliza engenheiros que trabalham diretamente com clientes para integrar a tecnologia a sistemas mais antigos.

A companhia afirmou ter mais de 45 clientes, incluindo setores altamente regulados como o bancário, e recentemente superou a marca de 300 mil casos processados por ano.

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Cerca de 30% da remuneração da Enter depende do sucesso nos processos; o restante é uma taxa inicial pelo uso da tecnologia. Muitos casos são resolvidos em dois ou três meses, segundo o CEO, gerando economia para os clientes.

A Enter pretende usar o novo capital para expandir operações para outras regiões, mas não revelou quais. Também planeja ampliar sua equipe para 150 pessoas, ante cerca de 100 atualmente.

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