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Investidoras na Azul, United e American cogitam fusão nos Estados Unidos

CEO da United levou a Trump proposta união com a rival; no Brasil, companhias aéreas assinaram acordo para serem acionistas da Azul

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O CEO da United Airlines, Scott Kirby, levou ao governo Trump a proposta de uma fusão com a American Airlines, segundo a Bloomberg — um movimento que, se concretizado, criaria a maior companhia aérea do planeta.

No Brasil, as duas rivais já estão mais próximas de uma sociedade. As duas assinaram acordos para serem acionistas da Azul, como parte do movimento de saída da brasileira do Chapter 11 — o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.

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A United já era investidora da Azul e, durante o processo, fez um aporte de US$ 100 milhões na companhia brasileira, operação aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Agora, é a vez da American: a empresa também negocia um aporte de US$ 100 milhões para entrar na base acionária da Azul. A operação está sob análise do Cade. No Brasil, a American ainda mantém um acordo de parceria comercial com a Gol.

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O mercado de aviação no Brasil vive um verdadeiro cabo de guerra. Com a chegada dos novos jatos Embraer E2 na frota da Latam, começou uma disputa agressiva pelos pilotos da Azul, única grande operadora do modelo no país. azul latam aviação

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Kirby apresentou a ideia a integrantes do alto escalão do governo americano. Em uma reunião com o presidente Donald Trump em 25 de fevereiro, inicialmente pautada pela reforma do Aeroporto Internacional Washington Dulles, o executivo teria abordado o tema, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. Não está claro, porém, se as conversas avançaram ou se há de fato um processo formal de avaliação em curso.

As ações da American subiam 7,6% na abertura do pregão americano após a notícia, enquanto os papéis da United avançavam 1,5%.

Gigante de US$ 100 bilhões em receita

Juntas, United e American controlam mais de um terço do mercado aéreo dos EUA. Uma eventual combinação resultaria em uma companhia com receita superior a US$ 100 bilhões e frota de mais de 2.800 aeronaves.

É justamente o tamanho do negócio que torna a operação tão controversa. Críticos apontam que a fusão reduziria a concorrência, elevaria tarifas e limitaria opções para os passageiros. “Mesmo o regulador antitruste mais permissivo deveria barrar uma fusão tão claramente anticoncorrencial”, disse Ganesh Sitaraman, professor da Faculdade de Direito de Vanderbilt, à Bloomberg.

O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou à CNBC que o governo avaliaria o impacto sobre a concorrência e os preços das passagens. Disse ainda que, em caso de fusão entre grandes aéreas, seria necessário o desinvestimento de parte dos ativos para evitar concentração excessiva de mercado.

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Disputa antiga, agora com novo capítulo

Para Kirby, o acordo também carrega um componente pessoal. Antes de assumir o comando da United, ele foi presidente da American — cargo que deixou após perceber que não chegaria à posição de CEO. Desde então, as duas companhias travam uma disputa acirrada, especialmente pelo domínio do aeroporto O’Hare, em Chicago.

A American, por sua vez, enfrenta seus próprios desafios: carrega cerca de US$ 35 bilhões em dívida, tenta reconquistar clientes corporativos após uma estratégia comercial impopular e lida com a pressão de pilotos insatisfeitos com a gestão de Robert Isom, atual CEO.

Nos últimos meses, o cenário macroeconômico também pesa sobre o setor. O aumento do preço do querosene de aviação, impulsionado pela tensão entre EUA e Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, tem elevado os custos operacionais das companhias.

Em Wall Street, a United tem valor de mercado de cerca de US$ 31 bilhões, contra US$ 7,4 bilhões da American. As ações da United acumulam queda de 15% em 2026, enquanto as da American recuam 27%.

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