A produção da Rio Tinto veio principalmente de suas operações em Pilbara, na Austrália, e ficou praticamente estável em relação a 2024. Em relatório operacional, a mineradora informou que cumpriu o guidance de produção estabelecido para o ano, sem indicar impactos relevantes de ordem operacional.
A terceira força do setor, a BHP, ainda não divulgou o dado fechado de produção anual de minério de ferro em 2025. Em seu relatório operacional mais recente, referente ao semestre encerrado em dezembro, a companhia reportou produção de 134 milhões de toneladas no período e indicou guidance anual entre 258 milhões e 269 milhões de toneladas, patamar que a mantém abaixo de Vale e Rio Tinto no ranking global.
Já a Anglo American opera em escala significativamente menor: a empresa produziu 45,7 milhões de toneladas de minério de ferro até setembro de 2025 e trabalha com guidance de 58 a 62 milhões de toneladas no ano, concentradas nas operações da Kumba, na África do Sul, e do Minas-Rio, no Brasil.
Desempenho da Vale
No caso da Vale, o avanço de 2,6% na produção anual refletiu, de acordo com a companhia, uma “combinação de maior estabilidade operacional e avanço de projetos estratégicos”. O destaque foi o S11D, em Carajás (PA), que atingiu recorde de 86 milhões de toneladas em 2025, consolidando-se como o principal motor de crescimento da companhia.
No quarto trimestre, a produção de minério de ferro da Vale somou 90,4 milhões de toneladas, alta de 6% na comparação anual, impulsionada sobretudo pelo desempenho de Brucutu e pelo ramp-up dos projetos Capanema e VGR1, segundo o comunicado da companhia.
Apesar do avanço no volume, os indicadores comerciais vieram mais fracos. O prêmio “all-in” do minério de ferro caiu para US$ 0,9 por tonelada no quarto trimestre, recuo de 80,4% em relação ao mesmo período de 2024, refletindo a menor disposição do mercado em pagar prêmio por qualidade. Já o preço médio realizado dos finos ficou em US$ 95,4 por tonelada, enquanto o preço das pelotas caiu para US$ 131,4 por tonelada.
Liderança
A retomada da liderança em volume ocorre num momento em que a nova gestão da Vale vem repetindo publicamente a ambição de recolocar a companhia no topo global não apenas em produção, mas também em valor de mercado.
Em junho do ano passado, o CEO Gustavo Pimenta afirmou que a empresa precisa “destravar valor” e voltar a ser a maior mineradora do mundo, destacando que a meta operacional é atingir 360 milhões de toneladas de produção anual até 2030.
“Queremos alcançar uma posição que nunca deveríamos ter perdido”, disse o executivo. A tarefa, no entanto, segue desafiadora no plano financeiro: a Vale tem hoje valor de mercado de US$ 43,9 bilhões, cerca de um terço do tamanho da BHP e menos da metade da Rio Tinto.
