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Vendas da Heineken encolhem no Brasil sob pressão de demanda e inflação

Receita da Heineken avançou para US$ 7,84 bilhões no período, apoiada pela alta de preços e por um mix mais premium, que compensaram parcialmente a queda no consumo

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Os volumes de cerveja da Heineken, grupo holandês dono da marca homônima e de rótulos como Amstel e Eisenbahn, voltaram a cair no primeiro trimestre, refletindo a fraqueza da demanda em mercados importantes como Europa e Américas — incluindo o Brasil.

A companhia reportou queda de 0,8% nos volumes de cerveja, pior do que a retração de 0,7% esperada por analistas.

Apesar disso, a Heineken conseguiu crescer em receita. Entre janeiro e março, a Heineken registrou US$ 7,84 bilhões em receita líquida, em linha com as expectativas do mercado. O avanço foi puxado principalmente por aumentos de preços e por um mix mais premium — estratégia que vem compensando, ao menos parcialmente, a queda no consumo.

No total, o volume global do grupo chegou a 66,4 milhões de hectolitros, com crescimento orgânico de 1,2%, ajudado por categorias fora da cerveja, como mixers e sidras.

Brasil: pressão em volumes, alívio em preços

No Brasil, a Heineken fechou o trimestre com queda de volume de cerveja de um dígito baixo (entre 1% e 3%) na comparação anual. Apesar do recuo, a receita líquida no país cresceu um dígito médio (entre 4% e 6%), sustentada principalmente por um aumento de preços de um dígito alto (entre 7% e 9%).

A companhia destacou que o consumo segue fraco no país, impactado também por um Carnaval mais curto. Ainda assim, marcas como Amstel e Sol tiveram crescimento, enquanto o portfólio de bebidas de menor teor alcoólico — como a Heineken 0.0 — avançou em ritmo de dois dígitos altos.

O movimento de pressão em volumes também foi observado em outros mercados, como o México, onde preços mais altos ajudaram a compensar a retração.

Desempenho por região

Na região das Américas, o volume total caiu 2,6%, para 22,6 milhões de hectolitros, enquanto o volume licenciado recuou 6,9%. O portfólio premium teve queda de um dígito baixo, já que o bom desempenho de marcas como Red Stripe, Miller High Life e Desperados foi mais do que compensado pelo recuo da marca Heineken.

Na Europa, outro mercado enfraquecido no trimestre, os volumes caíram 1,8%.

Na contramão, a Ásia-Pacífico registrou forte crescimento, com alta de 10,1% nos volumes, para 15,4 milhões de hectolitros, impulsionada principalmente pelo desempenho no Vietnã.

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Pressões globais e estratégia

A Heineken vem operando em um ambiente mais desafiador, marcado por inflação persistente, custos de energia voláteis e incertezas geopolíticas. O CEO Dolf van den Brink afirmou que o comércio global está mais complexo e pode afetar o sentimento do consumidor nos próximos meses.

O conflito no Oriente Médio e a piora na confiança do consumidor em regiões como EUA e Europa também entram no radar. Para analistas do RBC Capital Markets, o desempenho da companhia no início do ano foi “adequado”, mas ainda muito dependente de aumentos de preços para crescer.

Além disso, a indústria de bebidas alcoólicas enfrenta desafios estruturais, como a queda no consumo entre jovens e limites na estratégia de premiumização — ou seja, vender produtos mais caros para sustentar margens.

A empresa manteve sua projeção de crescimento do lucro operacional entre 2% e 6% neste ano. Ao mesmo tempo, segue implementando um plano de reestruturação que inclui cortes de milhares de empregos e busca gerar cerca de US$ 540 milhões em economia.

Van den Brink deixará o comando da companhia em maio, após cerca de seis anos no cargo, e ainda não há um sucessor definido — o que adiciona mais um elemento de incerteza para investidores.

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