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Volkswagen avalia dividir fábricas na Europa com montadoras chinesas

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A Volkswagen está aberta a compartilhar fábricas em suas unidades europeias com parceiros automotivos chineses, à medida que busca reduzir custos de produção e simplificar operações.

A coprodução com parceiros é uma das opções consideradas pela montadora e pode ser uma “solução inteligente” para ocupar fábricas subutilizadas e reduzir custos, disse o CEO Oliver Blume em teleconferência na quinta-feira (29).

A empresa já reduziu capacidade e cortou empregos na Alemanha, onde os trabalhadores têm forte influência nas decisões corporativas.

“Esperamos uma concorrência mais dura nos próximos anos, especialmente das montadoras chinesas, mas nos vemos bem preparados”, disse Blume. A Volkswagen mantém joint ventures com empresas chinesas como SAIC, FAW e Xpeng, além de parceria tecnológica com a Horizon Robotics.

As possíveis medidas representam uma intensificação da disputa da indústria para se manter competitiva na Europa, onde fechar fábricas e reduzir quadros de funcionários é um processo complexo e caro. A Stellantis, segunda colocada na Europa, também negocia com empresas chinesas, incluindo a Dongfeng Motor, para compartilhar unidades na região, segundo a Bloomberg.

A Volkswagen quer reduzir sua capacidade global de produção para 9 milhões de veículos, ante 12 milhões antes da pandemia. Após cortes na marca Volkswagen, na Audi e na China, a empresa busca uma nova redução de 500 mil unidades em suas fábricas europeias, de custo mais elevado.

A montadora também avalia outras alternativas. Blume afirmou que a empresa pode produzir modelos de nova geração voltados exclusivamente para a China em fábricas europeias, após analisar quais produtos teriam apelo na região.

Atualmente, a companhia acelera o lançamento de novos modelos na China, incluindo o SUV E7X, da nova submarca da Audi, e o cupê ID.UNYX 08 — ambos, por enquanto, vendidos apenas no maior mercado automotivo do mundo.

Os planos refletem a pressão sobre montadoras ocidentais de grande escala, que intensificam cortes para acompanhar a concorrência crescente dentro e fora da China. Após ultrapassarem a Volkswagen e outras marcas ocidentais no mercado chinês, empresas como BYD e a marca MG, da SAIC, avançam rapidamente na Europa.

Os novos concorrentes também estão acelerando planos de produção na região após a União Europeia impor tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China.

Mais cedo, a Volkswagen reportou queda na margem operacional do primeiro trimestre, pressionada por tarifas e maior concorrência em mercados-chave, reforçando a necessidade de cortes adicionais. A rentabilidade operacional caiu para 3,3% nos três primeiros meses do ano, ante 3,7%.

As ações da Volkswagen subiam 1,2% às 13h23 em Frankfurt, após chegarem a cair até 3,3% mais cedo.

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Os planos de redução adicional ocorrem em um momento de queda nas vendas nos Estados Unidos e na China, sem perspectiva de recuperação rápida. A empresa também reiterou a intenção de simplificar plataformas e versões de modelos para aumentar a eficiência.

A companhia avançou em eficiência no primeiro trimestre, com redução de € 1 bilhão (US$ 1,2 bilhão) em custos administrativos e fluxo de caixa líquido de € 2 bilhões (US$ 2,4 bilhões).

Porshe e Audi

Porsche e Audi, tradicionais motores de lucro do grupo, enfrentam dificuldades após estratégias em veículos elétricos não saírem como esperado. Após anos de atrasos e problemas no desenvolvimento, ambas tentam recuperar fôlego para acompanhar concorrentes como Xiaomi, Nio e BMW no desenvolvimento de softwares de nova geração. Tarifas nos EUA também pressionam os resultados.

Na Audi, o lucro operacional e a margem melhoraram com medidas adicionais de redução de custos. As provisões ligadas às regras de emissões de CO₂ também caíram, assim como os custos de reestruturação, segundo a Volkswagen. A marca divulgará mais detalhes de seus resultados em 5 de maio.

O resultado inclui ainda um impacto de cerca de € 500 milhões (US$ 600 milhões) relacionado ao fim da produção do único veículo elétrico da Volkswagen fabricado nos EUA, o utilitário esportivo ID.4.

A Volkswagen também está em negociações avançadas com empresas do setor de defesa sobre o uso de sua fábrica em Osnabrück, disse Blume, acrescentando que a experiência da montadora pode oferecer “uma noção” sobre possíveis parcerias futuras. A empresa descartou a produção de armas.

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