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Com caixa bilionário, Votorantim Cimentos monitora InterCement e CSN de olho em oportunidades

Com dívida controlada e programa de investimentos de R$ 2,7 bilhões em curso, Votorantim analisa possibilidades diante de crise das rivais

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A Votorantim Cimentos entrou neste ano com um dos balanços mais saudáveis do setor justamente quando rivais como InterCement e CSN Cimentos enfrentam dificuldades, abrindo espaço para um novo ciclo de consolidação.

A companhia dos Ermírio de Moraes, que completa 90 anos em 2026, não confirma interesse em ativos específicos, mas afirma acompanhar de perto potenciais oportunidades no mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que acelera a execução de um plano de investimentos de R$ 5 bilhões até 2028.

“Essas situações têm relevância no mercado em que atuamos, então acompanhamos de perto, mas temos como política não comentar especulações”, disse o CEO Osvaldo Ayres ao InvestNews. Segundo ele, a companhia tem sido disciplinada financeiramente justamente para se preparar tanto para oportunidades quanto para eventuais desafios macroeconômicos. 

Osvaldo Ayres, CEO da Votorantim Cimentos (Divulgação)

Na prática, isso resulta em uma combinação pouco comum em empresas de capital intensivo: um balanço equilibrado, mas com capex acelerado. Dos R$ 5 bilhões de investimentos anunciados em 2024, cerca de R$ 2,7 bilhões já estão em curso.

A empresa encerrou 2025 com alavancagem de 1,63 vez o resultado operacional (Ebitda) e caixa de R$ 5,6 bilhões, o suficiente para cobrir mais de cinco anos de vencimentos de dívida, segundo o CFO Antonio Pelicano

Ao longo do ano, a Votorantim Cimentos realizou uma reestruturação relevante de seu endividamento, com cerca de R$ 2,2 bilhões em dívidas alongadas, postergando vencimentos que iam de 2026 a 2029 para o período entre 2030 e 2033.

“Conseguimos alongar a dívida e ainda reduzir o custo”, disse Pelicano. Em paralelo, a companhia está com uma emissão de R$ 650 milhões em debêntures em curso, que deverá ser precificada nas próximas semanas. A combinação de dívidas alongadas e caixa leva a empresa a não ter pressa de realizar uma oferta pública inicial (IPO), uma ambição antiga de seus controladores.

Crescimento em 2025

No ano passado, a companhia registrou receita líquida de R$ 29,4 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 7 bilhões, com crescimento em moeda local, enquanto a margem permaneceu estável em 24%.

O lucro líquido saltou para R$ 3,2 bilhões, crescimento nominal de 196%, mas a expressiva alta ocorreu por conta de um evento não-recorrente de 2024, quando a Votorantim Cimentos pagou pouco mais de R$ 1 bilhão para encerrar processos junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Desconsiderando isso, o crescimento do lucro teria sido de 17%.

No Brasil, principal mercado da companhia, o desempenho foi mais forte e ajudou a sustentar a estratégia de expansão. A Votorantim prepara a entrada de 3,7 milhões de toneladas adicionais de capacidade já a partir de 2026, entre novas plantas e unidades reativadas – movimento que ocorre mesmo em um cenário de demanda ainda moderada.

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A própria companhia reconhece que ainda há inflação de custos represada, com dificuldade de repasse integral de preços. Além disso, as projeções de crescimento do setor podem ser revisadas diante da volatilidade macroeconômica e geopolítica, especialmente fora do Brasil.

Na América do Norte, por exemplo, a operação apresentou estabilidade, refletindo um mercado de construção mais fraco, especialmente no Canadá. Já Europa e Ásia se beneficiaram de ganhos de eficiência e da captura de sinergias de aquisições recentes, enquanto a América Latina apresentou crescimento mais acelerado, ainda que sobre uma base menor.

Nesse contexto, a companhia aposta em uma estratégia de “capital paciente” – como define o próprio Ayres – para atravessar a volatilidade e, ao mesmo tempo, ter condições de fazer alguma nova aquisição.

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