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Walmart entra para o clube de US$ 1 trilhão

A maior varejista do mundo passa a integrar um seleto grupo dominado por gigantes da tecnologia, como Nvidia e Alphabet

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Uma forte alta nas ações da Walmart levou o valor de mercado da empresa a ultrapassar US$ 1 trilhão pela primeira vez na terça-feira (3), colocando a maior varejista do mundo em um grupo normalmente ocupado por gigantes de tecnologia como Nvidia e Alphabet.

Os papéis subiram até 1,6% por volta das 9h45 (horário de Nova York), atingindo um recorde intradiário de US$ 126 por ação e elevando o valor de mercado para pouco mais de US$ 1 trilhão, segundo dados compilados pela Bloomberg. No ano, as ações acumulam alta de 12%, superando o avanço de 1,9% do índice S&P 500.

A rede com sede em Bentonville, no Arkansas — há muito tempo favorita de consumidores em busca de preços baixos — tem usado sua enorme escala e sua rede de fornecedores para manter preços competitivos e ganhar participação de mercado em diferentes faixas de renda. Embora continue atraente para famílias focadas em custo-benefício, a oferta online da Walmart vem atraindo consumidores mais ricos em busca de conveniência.

“Foi uma transformação digital massiva pela qual a Walmart passou nos últimos anos”, disse Eric Clark, diretor de investimentos da Accuvest Global Advisors. “Ela deixou de ser apenas uma varejista tradicional de lojas físicas para usar tecnologia como motor de maior engajamento.”

Ambições tecnológicas

Investimentos recentes em inteligência artificial ajudaram a impulsionar ainda mais a alta das ações. A Walmart vem incorporando IA em várias frentes de suas operações e já utiliza a tecnologia para acelerar tarefas que vão do agendamento à gestão da cadeia de suprimentos.

No início deste ano, a empresa anunciou uma parceria com a Alphabet para oferecer experiências de compra com IA na plataforma Gemini, do Google, e recentemente firmou um acordo com a OpenAI para permitir que consumidores naveguem e comprem produtos diretamente pelo ChatGPT. A companhia passou a integrar o Nasdaq 100 no mês passado, reforçando o apetite dos investidores por suas ambições tecnológicas.

A Walmart é a maior empresa do S&P 500 Consumer Staples Index em valor de mercado, seguida por Costco Wholesale Corp., Procter & Gamble Co. e Coca-Cola Co. Agora, também faz parte do seleto grupo de empresas não ligadas à tecnologia avaliadas em US$ 1 trilhão ou mais, ao lado de Berkshire Hathaway Inc. e Saudi Aramco.

Origens modestas

A Walmart começou com uma única loja em 1962 e rapidamente superou concorrentes como Kmart e Sears. No início dos anos 2000, a empresa enfrentou dificuldades para expandir seu comércio eletrônico, mas acabou se transformando em uma potência digital, com operações de entrega e programas de associação sob o comando do CEO Doug McMillon. Hoje, vende de tudo em seu site — de cartas colecionáveis a bolsas Chanel usadas — e vem acelerando os prazos de entrega. Publicidade e outras operações fora do varejo tradicional também têm impulsionado o crescimento dos lucros.

O novo CEO, John Furner, tem a missão de manter esse ritmo e liderar a adoção de IA na companhia. Ele assumiu o cargo em 1º de fevereiro. Ao mesmo tempo, a concorrência se intensifica: Amazon.com Inc., Aldi Inc. e outros reforçam a estratégia de preços baixos, enquanto a Target Corp. tenta reverter um ano de desempenho fraco com foco em produtos mais sofisticados e melhorias na experiência em loja.

Analistas seguem confiantes, por ora: a Walmart conta com 47 recomendações de compra ou equivalente, contra apenas três de manutenção e uma de venda, segundo dados da Bloomberg.

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O desempenho forte, no entanto, levanta dúvidas sobre o espaço para novas altas. O preço-alvo médio para 12 meses é de US$ 124,37, próximo ao fechamento de segunda-feira. A ação é negociada a pouco mais de 42 vezes o lucro projetado, patamar próximo ao maior da história.

Parte dessas preocupações foi amenizada quando a empresa elevou, em novembro, as projeções de vendas e lucro para o ano após superar as expectativas do terceiro trimestre. A divulgação dos resultados do quarto trimestre está prevista para 19 de fevereiro.

O analista Corey Tarlowe, do Jefferies, afirmou que projeções conservadoras abrem espaço para novas surpresas positivas. “No geral, acreditamos que a Walmart continuará investindo em preços para ganhar participação de mercado em 2026, e vemos um cenário de guidance provavelmente cauteloso”, escreveu.

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