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Governo Trump lança medidas para evitar que rivais chineses copiem modelos de IA americanos

EUA acusam China de usar prática conhecida como destilação, que permite replicar, a um baixo custo, as capacidades de modelos de IA já existentes

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O governo Trump revelou medidas para impedir desenvolvedores chineses de usarem indevidamente modelos de IA americanos de ponta para construir uma geração rival de chatbots. Está é a primeira grande resposta dos EUA às reclamações de empresas do Vale do Silício de que a China está se aproveitando de seu sucesso.

Em um memorando divulgado nesta quinta-feira (23), o Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca afirmou que pretende ampliar o compartilhamento de informações entre desenvolvedores nos Estados Unidos e reforçar os esforços para ajudar a indústria a identificar o uso não autorizado de seus modelos de inteligência artificial.

O governo dos EUA também trabalhará com a indústria para decidir como conter esses abusos e responsabilizar os infratores.

“Não há nada de inovador em extrair e copiar sistematicamente as inovações da indústria americana, e não há nada de aberto em modelos supostamente abertos que são derivados de atos de exploração maliciosa”, disse no memorando o diretor de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios.

As medidas representam, até aqui, a tentativa mais relevante dos EUA de conter a chamada destilação — prática em que desenvolvedores treinam novos sistemas a partir das respostas de um modelo original, replicando capacidades a um custo bem mais baixo.

Modelos criados dessa forma evitam tanto os custos de pesquisa quanto o uso dos processadores caros necessários para treinar um sistema do zero.

Embora tolerada para treinar sistemas menores e menos avançados, a destilação viola os termos de uso das empresas de IA quando é empregada para replicar um modelo de ponta sem permissão.

A Casa Branca esclareceu em seu memorando que os EUA apoiam um ecossistema vibrante de código aberto, mas acrescentou que a destilação voltada a minar investimentos americanos em pesquisa e desenvolvimento é inaceitável.

O esforço mais amplo para reprimir a destilação não autorizada busca lidar com uma preocupação crescente entre empresas americanas, incluindo OpenAI, Anthropic e a Alphabet, de que resultados de seus modelos estão sendo usados indevidamente por rivais chineses como DeepSeek, Moonshot e MiniMax.

O Escritório de Política de Ciência e Tecnologia define a destilação indevida em “escala industrial” como casos em que entidades estrangeiras, principalmente na China, usam “dezenas de milhares” de contas proxy para acessar modelos de ponta e disparar uma série de consultas com o objetivo de extrair informações proprietárias — que depois podem ser usadas para reproduzir parte das capacidades desses sistemas.

O comunicado alerta que atores não autorizados podem remover protocolos de segurança por meio desse método, resultando em modelos que não são nem neutros nem confiáveis.

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“Entidades estrangeiras que constroem suas capacidades de IA sobre bases tão frágeis deveriam ter pouca confiança na integridade e confiabilidade dos modelos que produzem”, alertou Kratsios no memorando.

Disputa tecnológica

Acusar empresas chinesas de coletar resultados de IA de forma indevida é um movimento provocativo do governo às vésperas da cúpula do próximo mês, em Pequim, entre Donald Trump e Xi Jinping. Estados Unidos e China travam uma disputa direta pela liderança global em inteligência artificial, tratando a tecnologia como prioridade nacional.

Os principais desenvolvedores dos EUA ainda são vistos como à frente dos rivais chineses em capacidade de IA. Ainda assim, pelo menos três empresas americanas passaram a alertar que a destilação representa um risco para seus negócios e começaram a trocar informações sobre a extração não autorizada de resultados de seus modelos.

Agora, o governo dos EUA deve se somar a esse esforço, com foco em orientar as empresas sobre as táticas e os atores envolvidos.

Muitos modelos desenvolvidos por laboratórios chineses são de código aberto e, em grande parte, gratuitos. Isso cria um desafio econômico para empresas americanas que mantiveram sistemas proprietários, apostando na cobrança pelo acesso para compensar os centenas de bilhões de dólares investidos em data centers e outras infraestruturas.

Autoridades americanas estimam que a extração ilícita de resultados está custando bilhões de dólares em lucros anuais aos laboratórios do Vale do Silício, segundo uma pessoa familiarizada com as conclusões.

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