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De um porão a potência global: a ascensão da fabricante de temperos McCormick

O acordo com a Unilever para criar um gigante de especiarias de US$ 65 bilhões é resultado de um século de aquisições contínuas da McCormick

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A trajetória da McCormick rumo a um colosso de US$ 65 bilhões começou em um porão em Baltimore, em 1889.

A marca, conhecida nos supermercados americanos por seus frascos com tampa vermelha, tem origem no fundador Willoughby McCormick, que aos 25 anos começou a vender porta a porta root beer, extratos de sabor e xaropes de frutas — além de um produto chamado “Uncle Sam’s Nerve and Bone Liniment”, anunciado como um remédio tanto para pessoas quanto para animais.

Sete anos depois, a McCormick deu seu primeiro grande passo no setor de especiarias ao adquirir a F.G. Emmett Spice Co., da Filadélfia, transferindo sua maquinaria para Baltimore.

Esse movimento antecedeu uma expansão que durou décadas e levou ao maior passo da companhia até agora: na terça-feira, a empresa assinou um acordo para se combinar com o negócio de alimentos da Unilever e criar um gigante global de condimentos, com operações espalhadas pelo mundo.

A McCormick cresceu até se tornar líder do setor, com cerca de US$ 8 bilhões em vendas anuais projetadas e valor de mercado de aproximadamente US$ 13,6 bilhões. A combinação com a ampla divisão de alimentos da Unilever — que gera cerca de US$ 12 bilhões por ano — representa o negócio mais ambicioso de sua história.

Sua estratégia de aquisições foi fundamental para o crescimento ao longo do século 20, com bilhões de dólares investidos em dezenas de negócios que incluíram desde pão congelado até produtos para decoração de bolos e molhos apimentados. Nem sempre eram operações chamativas, mas ajudaram a transformar a empresa de Baltimore em presença constante nos supermercados.

A McCormick passou a ocupar mais prateleiras de temperos já em 1926, quando começou a oferecer seus produtos a atacadistas. Nessa época, a empresa já atuava internacionalmente, atendendo clientes na América Latina, Europa, África e Caribe por meio de um escritório de exportação em Nova York.

Buscando se diferenciar da concorrência, a McCormick desenvolveu um processo de esterilização de especiarias chamado “McCorization”, que prometia produtos mais limpos sem perder sabor.

Em 1947, a empresa adquiriu a A. Schilling & Co., de São Francisco, ampliando sua distribuição de costa a costa nos Estados Unidos. Em 1959, comprou a maior empresa de especiarias do Canadá e, em 1961, adquiriu uma planta de desidratação de vegetais na Califórnia.

A McCormick também experimentou novos produtos, com resultados variados. Uma tentativa de lançar uma bebida em pó gaseificada para crianças, vendida em embalagens de alumínio, foi abandonada após vazamentos que faziam os pacotes estourarem.

Em 1973, a empresa abriu capital. Novas aquisições vieram em seguida, à medida que expandia para embalagens, alimentos congelados e ingredientes de sabor, ao mesmo tempo em que fortalecia seu portfólio de especiarias.

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A companhia cresceu na Ásia e na Europa e, em 2000, adquiriu a Ducros, principal fornecedora de temperos da Europa. A McCormick continuou fazendo aquisições, incluindo a compra da Zatarain’s, especializada em alimentos e temperos ao estilo de Nova Orleans, em 2003, e da marca de temperos Lawry’s em 2008.

As marcas French’s e o molho apimentado Frank’s passaram a integrar o portfólio em 2017, após a compra da divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por cerca de US$ 4,2 bilhões. Em 2020, a empresa adquiriu a Cholula Hot Sauce.

Hellmann’s e Knorr

Executivos da McCormick afirmaram estar confiantes de que a combinação com a divisão de alimentos da Unilever impulsionará o crescimento. O acordo reunirá sob o mesmo guarda-chuva marcas como Hellmann’s, o tempero Old Bay, Knorr e Lawry’s. A liderança atual da McCormick continuará à frente da empresa combinada.

“Estamos aplicando nossos modelos para garantir a abordagem correta de integração”, disse o CEO Brendan Foley em teleconferência com investidores. “Há muito tempo pensamos nessa combinação e levaremos a ela as lições aprendidas em nossa trajetória de fusões e aquisições.”

Escreva para Amira McKee em amira.mckee@wsj.com

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