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Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, reacende seu amor conturbado com companhias aéreas

Seu ex-CEO certa vez disse, de forma famosa: “Meu nome é Warren e sou um aeromaníaco”

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A Berkshire Hathaway parece não conseguir se afastar de seu romance com as companhias aéreas.

Warren Buffett teve uma relação conturbada com investimentos em companhias aéreas durante seu longo período como CEO e selecionador de ações do conglomerado. Agora, seu sucessor, Greg Abel, também demonstra uma afinidade inicial pelo setor, com a Berkshire assumindo uma nova posição de US$ 2,6 bilhões na Delta Air Lines no primeiro trimestre.

Buffett disse ao Wall Street Journal na segunda-feira que não esteve envolvido na nova posição na Delta. Mas afirmou que deu outras ideias de investimento a Abel, que assumiu como CEO em janeiro e supervisiona o enorme portfólio de ações da empresa.

Para muitos seguidores de Buffett, a participação na Delta traz à memória o passado turbulento do lendário investidor com o setor aéreo. Buffett disse ao Telegraph em 2002 que simplesmente não conseguia resistir ao setor de aviação, marcado por ciclos de expansão e crise.

“Agora tenho um número 0800 para o qual ligo quando sinto vontade de comprar uma ação de companhia aérea”, disse na época. “Ligo às duas da manhã e digo: ‘Meu nome é Warren e sou um aeromaníaco’. E então eles me convencem a desistir.”

É possível que a Berkshire já tenha saído ou alterado sua posição na Delta, já que o registro regulatório divulgado na semana passada reflete investimentos do primeiro trimestre. A Berkshire não quis comentar.

O setor aéreo enfrenta mais um desafio, com uma forte alta no preço do combustível de aviação devido à guerra no Irã. A Spirit Airlines encerrou suas operações no início do mês, após a alta dos combustíveis inviabilizar seus planos de sair de uma segunda recuperação judicial. Já a Delta tem liderado os lucros do setor ao focar em clientes de alta renda, e alguns investidores apostam que a companhia ampliará sua vantagem sobre as rivais.

Os problemas de Buffett com o setor aéreo começaram no fim dos anos 1980, quando o investimento de US$ 358 milhões em ações preferenciais da USAir, em 1989, rapidamente se deteriorou. Embora a Berkshire tenha conseguido vender as ações com lucro em 1998, a empresa depois faliu duas vezes. Buffett disse aos acionistas em uma carta de 2007 que havia aprendido a lição.

As companhias aéreas são “o pior tipo de negócio” — um setor que cresce rapidamente, consome muito caixa e gera pouco ou nenhum lucro, escreveu na época.

“Uma vantagem competitiva durável aqui tem se mostrado ilusória desde os tempos dos irmãos Wright”, escreveu Buffett.

Mas a atração voltou a ser forte, e a Berkshire retornou menos de uma década depois.

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A empresa comprou grandes participações na United Airlines, American Airlines, Delta e Southwest Airlines em 2016, apostando que a consolidação havia reduzido a tendência de guerras de tarifas que comprimiam os lucros.

As companhias aéreas tiveram “um primeiro século ruim”, disse Buffett à CNBC em 2017. “Elas são como o Chicago Cubs. E já se livraram desse século, espero.”

Mas o timing da Berkshire foi ruim. A empresa comprou suas grandes posições quando o setor vivia uma sequência recorde de lucros. Depois, vendeu tudo em 2020, quando a pandemia de Covid-19 derrubou a demanda por viagens aéreas — saindo com prejuízo, pouco antes de as ações do setor começarem a se recuperar.

Desde o fim de abril de 2020, as ações da Delta e da United subiram mais de 170%, enquanto a Southwest avançou 23%, segundo dados da Dow Jones Market Data. Já a American acumulou alta de 2,9%.

A saída da Berkshire chegou a ser criticada pelo presidente Trump. “Às vezes até alguém como Warren Buffett — alguém que respeito muito — comete erros”, disse ele em junho daquele ano. “Eles deveriam ter mantido as ações das companhias aéreas.”

A Berkshire mantém interesses na aviação privada, que enfrenta problemas semelhantes aos das companhias aéreas públicas, incluindo altos custos fixos como combustível e mão de obra sindicalizada. A empresa comprou a operadora de jatos privados NetJets em 1998 por cerca de US$ 725 milhões. Abel a chamou de “um ativo valioso em um setor muito difícil” em sua primeira carta aos acionistas, em fevereiro.

As companhias aéreas voltam a estar em posição delicada.

A guerra no Irã fez os preços do petróleo dispararem, e o combustível — segunda maior despesa das companhias aéreas — dobrou em poucas semanas. As empresas repassaram parte desse aumento aos consumidores por meio de tarifas mais altas, mas analistas esperam que muitas tenham prejuízo neste ano.

A Delta está em melhor situação do que a maioria. Sua aposta, feita anos atrás, em oferecer um serviço melhor e mais confiável, além do foco em clientes de alta renda, fez dela a companhia aérea mais lucrativa dos EUA.

O CEO Ed Bastian recebeu bem a notícia do investimento da Berkshire e disse que esperava que a empresa voltasse a ser investidora após a pandemia.

“Isso sempre esteve na minha lista de desejos, chegar ao outro lado disso e ver se haveria uma forma de eles retornarem”, disse ele à CNBC na segunda-feira.

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