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Berkshire mantém site dos anos 1990 e fãs de Buffett dizem: ‘não mexam nisso’

A página inicial parece não ter sido atualizada há décadas. Se o novo CEO tentar mudar isso, pode enfrentar resistência; “eu venderia minhas ações”

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Algumas coisas nunca mudam na Berkshire Hathaway, mesmo quando provavelmente deveriam.

O site da companhia, descrito como sua “página oficial”, aparenta ter um design praticamente intocado desde os tempos do Netscape e da AOL. Há uma razão para isso: ele realmente não foi atualizado.

Warren Buffett se aposentou em dezembro, encerrando um período de seis décadas à frente do conglomerado. Mas a presença digital da Berkshire ainda reflete fortemente o estilo do investidor, que já disse ter enviado e-mail apenas uma vez na vida.

Muitos fãs da companhia esperam que, mesmo com a chegada do sucessor Greg Abel, o site continue como era na era da Macarena, de “Seinfeld” e de “Exuberância Irracional (livro do economista Robert J. Shiller)”.

“Se Greg Abel disser: ‘precisamos atualizar o site da Berkshire Hathaway’, eu venderia minhas ações”, disse Audrey Lee, analista de otimização de busca e acionista desde 2023.

Abel recusou-se a comentar.

Alguns investidores dizem que o site, assim como a reunião anual em Omaha ou as cartas aos acionistas, se tornou parte do que diferencia a empresa.

Os 16 links em formato de tópicos, que direcionam para documentos regulatórios, cartas e mensagens de Buffett, conectam acionistas atuais ao passado da companhia. (Os investidores, porém, são menos sentimentais em relação ao valor de mercado da Berkshire, que nos últimos anos ultrapassou US$ 1 trilhão).

Alguns elementos do site são tão antigos que seria difícil replicá-los. As primeiras letras de “Berkshire” e “Hathaway” no topo estão em fonte maior do que o restante do texto, segundo Lee. Ela disse ter tido dificuldade para reproduzir o estilo em seu próprio site.

“Há algo muito charmoso nisso, como o apelo nostálgico dos discos de vinil”, disse. “É o mais básico possível.”

Mais do que nostalgia, fãs destacam o carregamento rápido e o design incomum. Não há fotos de executivos, vídeos sofisticados nem animações de produtos.

Buffett disse não estar ciente da base de fãs do site.

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“Eu sabia que Charlie e eu gostávamos dele”, disse, referindo-se ao falecido Charlie Munger. “Não recebo muitas cartas dizendo: ‘vocês têm um site maravilhoso’.”

No rodapé da página, há uma mensagem informando que a empresa não responde a comentários sobre o site devido ao quadro reduzido de funcionários.

Alguns investidores dizem que o site reflete o modelo descentralizado da Berkshire e sua cultura de evitar gastos desnecessários.

Marc Hamburg, diretor financeiro de longa data da empresa, é responsável pelas atualizações do site. Ele e Buffett decidiram o conteúdo quando ele foi lançado em 1996.

Buffett afirmou que o site traz as informações que considera essenciais. Para ele, assim como no restante do negócio, o foco não é atrair o investidor médio.

“Temos um público interessado em fatos”, disse o investidor. “Isso explica por que não ganhamos prêmios de design de sites.”

Sem versão mobile

Uma das críticas é a ausência de versão mobile, o que dificulta o uso em celulares.

Um designer de interfaces em Sydney chegou a recriar o site com foco em adaptação para dispositivos móveis, após encontrar o original em um fórum no Reddit.

O site, criado antes da popularização dos smartphones, também reflete a resistência de Buffett à tecnologia. Ele só trocou seu celular flip por um iPhone em 2020.

Em 2013, criou uma conta no X (antigo Twitter), mas publicou apenas nove vezes e abandonou a plataforma em 2016.

Para alguns designers, o site se tornou referência profissional. Um deles disse que o mantém salvo como exemplo de simplicidade extrema.

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“É como um bilionário de chinelo na rua: excêntrico. Já se for outra pessoa, parece desleixo”, disse.

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