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Como a Shell tem lucrado com volatilidade do petróleo causado pela guerra no Irã

A guerra no Irã e o fechamento efetivo do Estreito de Hormuz desencadeou uma forte alta nos preços de petróleo e gás e Shell tem aproveitado este momento

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Os traders da Shell aproveitaram as fortes oscilações nos preços do petróleo provocadas pela guerra no Irã para impulsionar os resultados da gigante britânica de energia ao melhor trimestre em dois anos.

O lucro ajustado da divisão de químicos e produtos da Shell, que abriga suas operações de trading de petróleo, saltou para US$ 1,93 bilhão no primeiro trimestre, ante US$ 449 milhões no mesmo período do ano passado.

“Pegue o trading de petróleo bruto e produtos refinados”, disse o CEO Wael Sawan. “A volatilidade no mês de março criou oportunidades para nossos traders gerarem valor.”

Segundo Sawan, os traders da Shell que aumentaram posições compradas em petróleo bruto, derivados e gás conseguiram direcionar essas cargas para os mercados mais lucrativos.

A guerra no Irã — e o fechamento efetivo do Estreito de Hormuz — desencadeou uma forte alta nos preços de petróleo e gás. Notícias divulgadas de hora em hora sobre os desdobramentos do conflito também alimentaram grandes oscilações intradiárias nos mercados de energia.

As grandes petroleiras agora estão capitalizando sobre os preços mais altos, enquanto traders de energia conseguiram explorar a volatilidade para obter lucros extraordinários.

No entanto, a guerra também está tendo impacto negativo nas operações da Shell no Oriente Médio.

Ataques iranianos ao Catar danificaram uma das duas unidades da planta Pearl GTL (gas-to-liquids) da companhia, o que exigirá cerca de um ano de reparos. Embarques de uma unidade de gás natural liquefeito (GNL), da qual a Shell possui 30% em joint venture com a Qatar Energy, também foram interrompidos enquanto o estreito permanece amplamente congestionado.

Sawan afirmou que os trabalhos de reparo da unidade danificada já começaram, enquanto a unidade não atingida e a planta de GNL estão “prontas para reiniciar”.

“Dependendo da liberação do estreito, elas devem voltar a operar muito rapidamente”, disse o executivo.

No geral, o lucro ajustado da Shell — métrica amplamente acompanhada que exclui determinados ajustes de preços de commodities e itens extraordinários — subiu para US$ 6,92 bilhões no primeiro trimestre. O resultado supera os US$ 5,58 bilhões registrados no mesmo período do ano passado e representa o melhor desempenho trimestral da Shell desde o primeiro trimestre de 2024.

A Shell reduziu seu programa de recompra de ações no trimestre para US$ 3 bilhões, ante US$ 3,5 bilhões no trimestre anterior. Segundo Sawan, a medida visa preservar caixa para recomprar mais ações no futuro “a um desconto em relação aos níveis atuais”.

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As ações da Shell caíam mais de 2% na quinta-feira, em linha com seus pares, à medida que os preços do petróleo recuavam diante do otimismo de que Estados Unidos e Irã podem estar mais próximos de um acordo.

Em tempos normais, cerca de um quinto da oferta diária global de petróleo e gás passa pelo estreito. No entanto, a rota marítima estratégica está praticamente fechada desde o início da guerra, no fim de fevereiro.

Embora Shell e outras grandes petroleiras tenham se beneficiado da alta nos preços da energia, o conflito forçou algumas empresas da região a reduzirem a produção.

Algumas sofreram ataques diretos a instalações energéticas que exigirão anos e bilhões de dólares para serem reparadas. Investidores querem saber quanto tempo as empresas levarão para restaurar a produção após o fim do conflito.

A Shell perdeu cerca de 10% de sua produção total devido a ativos danificados ou paralisados no Catar. Já a produção em Omã, que também representa cerca de 10% de seus volumes de hidrocarbonetos, não foi afetada até agora pela guerra nem pelo bloqueio naval dos EUA, afirmou Sawan.

A interrupção significa que, no segundo trimestre, a produção da divisão integrada de gás da Shell deve cair para entre 580 mil e 640 mil barris de óleo equivalente por dia, ante 909 mil barris por dia no primeiro trimestre.

A produção de upstream deve ficar entre 1,62 milhão e 1,82 milhão de barris de óleo equivalente por dia, ante 1,84 milhão de barris por dia no primeiro trimestre. Segundo a Shell, essa queda reflete manutenção programada e não está relacionada ao conflito.

Escreva para Adam Whittaker em adam.whittaker@wsj.com.

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