Mas, ultimamente, o peso-pesado do governo Donald Trump tem outra preocupação: está envolvido em uma disputa por um par de shorts de boxe de Muhammad Ali.
Eric Inselberg, um entusiasta de memorabilia esportiva, afirma que deu o item valioso ao ex-amigo Bisignano anos atrás como garantia de um empréstimo de US$ 500 mil. Segundo ele, a dívida foi quitada, mas Bisignano se recusa a devolver o calção, que hoje estaria avaliado em US$ 800 mil.
Bisignano rebate dizendo que nunca recebeu o calção branco com listras pretas, usado por Ali em sua última luta no Madison Square Garden em 1977.
A disputa deles não é exatamente a Rumble in the Jungle, mas ao longo dos anos houve muitos “golpes” verbais.
Bisignano afirma que nunca foi amigo de Inselberg e diz que a avaliação elevada do item é absurda.
Ele acusa o adversário de ingratidão e de ser um litigante recorrente. “Um exemplo clássico do ditado ‘nenhuma boa ação fica sem punição’: o empréstimo agora envolveu Bisignano em uma década de litígios vexatórios”, disseram seus advogados em documento judicial.
Inselberg, em depoimento, descreveu Bisignano como um “predador de topo” que estaria mantendo o item por despeito. “Ele é vingativo”, disse. “Acha que pode fazer o que quiser.”
Colecionador
Bisignano, segundo ele, é um grande fã de esportes que gasta muito com memorabilia, mas tem vergonha de admitir. “Ele tenta se distanciar do fato de ser um colecionador ‘enrustido’, porque não quer ser associado a fãs ou colecionadores em convenções”, afirmou Inselberg.
O caso gira em torno de saber se Inselberg consegue provar que entregou o calção a Bisignano.
Ambos concordam em alguns pontos: Inselberg tomou o empréstimo em 2010 para financiar um negócio de tecnologia interativa. Como garantia, entregou dezenas de itens colecionáveis e o controle de patentes ligadas à sua tecnologia.
A partir daí, as versões divergem.
Para renovar o empréstimo, Inselberg afirma que depois entregou mais itens, incluindo o calção de Ali emoldurado. Ele diz que deu o item à então assistente pessoal de Bisignano, que reconhece ter recebido memorabilia, mas não lembra se o calção estava incluído.
A situação ficou mais complicada em 2011, quando promotores federais acusaram Inselberg e outros de um esquema de venda de memorabilia falsa do New York Giants. As acusações contra ele foram posteriormente retiradas, mas o caso prejudicou seus negócios e gerou processos com o time e com Bisignano.
Após longa disputa judicial, os dois concordaram que as patentes serviriam como pagamento do empréstimo, e Bisignano aceitou devolver os itens.
Mas, quando isso aconteceu, o calção de Ali não estava entre eles — apenas o certificado de autenticidade, segundo Inselberg. Também estariam faltando um quadro de Peter Max de Michael Jordan e um capacete usado pelo membro do Hall da Fama da NFL Larry Fitzgerald.
Ele quer tudo de volta.
Bisignano acusa Inselberg de desorganização nos registros e de alterar o inventário dos itens dados como garantia sem acordo entre as partes. Seus advogados também apontaram inconsistências nas datas apresentadas por Inselberg.
O julgamento estava previsto para começar na semana passada em um tribunal de Nova Jersey, mas foi adiado para setembro a pedido de Bisignano.
Inselberg aposta no depoimento de Lou Lampson, amigo em comum e colecionador, como seu “golpe de nocaute”.
Em depoimento, Lampson relatou um jantar em 2012 na casa de Bisignano, em Nova Jersey, que contou com a presença de Fitzgerald. Ele disse que viu o calção de Ali pendurado na “caverna masculina” do executivo. “Nunca vou esquecer aquele calção — eu tenho dois mantos do Ali”, afirmou.
Os advogados de Bisignano contestam essa versão, dizendo que ela não bate com a cronologia apresentada por Inselberg.
“Casos são decididos no tribunal, não na imprensa”, disse o advogado Kevin Marino. “Estamos confiantes na vitória no julgamento.”