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Opinião WSJ: Quem paga as tarifas de Trump? Os próprios americanos

Estudo do Fed de Nova York mostra que quase 90% do impacto recai sobre empresas e consumidores dos EUA

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Por mais que o presidente Donald Trump insista que suas tarifas estão taxando estrangeiros para enriquecer os Estados Unidos, os estudos econômicos continuam indicando que quem paga a conta são os americanos.

Na quinta-feira (12) foi a vez do Federal Reserve (Fed) de Nova York. Em uma análise publicada no site da instituição, quatro pesquisadores afirmam que, no ano passado, “quase 90% do peso econômico das tarifas recaiu sobre empresas e consumidores dos EUA”.

Eles chegam a essa conclusão examinando dados de importação para verificar se fornecedores estrangeiros reduziram seus preços em resposta ao custo adicional das tarifas. Nos primeiros oito meses de 2025, “94% do impacto das tarifas foi absorvido pelos EUA”, diz o estudo – ou seja, “uma tarifa de 10% provocou apenas uma queda de 0,6 ponto percentual nos preços de exportação estrangeiros”.

Presidente dos EUA, Donald Trump, segura um cartaz de tarifas recíprocas durante um anúncio no Jardim das Rosas da Casa Branca em Washington, DC. Foto: Bloomberg/Kent Nishimura

Esse efeito mudou ao longo do ano, mas apenas marginalmente. Os números de novembro sugerem que as tarifas tiveram “repasse de 86% para os preços de importação nos EUA”, afirmam os pesquisadores.

“Nossos resultados mostram que a maior parte do impacto das tarifas continua recaindo sobre empresas e consumidores americanos. As conclusões são consistentes com dois outros estudos que também registram alto repasse das tarifas aos preços de importação dos EUA.”

Isso é um problema tanto para os consumidores quanto para os republicanos, incluindo Trump. Mesmo que tarifas não sejam, em geral, inflacionárias, elas funcionam como impostos que podem elevar preços de itens importados específicos – e também dos produtos de concorrentes domésticos protegidos.

Relatórios recentes de inflação, incluindo o divulgado na sexta-feira (13), mostram saltos relevantes em alguns itens, como móveis e roupas de cama, que em janeiro subiram 4% na comparação anual.

Economistas conseguem separar com precisão as diferentes causas da alta de preços, assim como isolam a inflação “núcleo” para distinguir tendências gerais de choques imprevisíveis, como variações no petróleo ou surtos de gripe aviária.

Mas os eleitores que passam pelo supermercado ou pelo shopping não pensam nesses termos. Eles simplesmente veem os preços subindo — depois que Trump prometeu, em 2024, que isso pararia, ou talvez até se revertesse.

Também não se deve ignorar o dinamismo econômico desperdiçado quando empresas gastam tempo e talento reagindo às mudanças imprevisíveis nas tarifas de Trump, tentando se proteger delas ou antecipar qual será a próxima.

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As tarifas são um prejuízo econômico – e, em novembro, os eleitores podem mostrar que também são um prejuízo político.

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