Depois de se tornar a primeira mulher a ganhar sozinha o Nobel de Economia, em 2023, Goldin recebeu centenas de convites e solicitações. Ela aceitou apenas três.
Um deles foi para assessorar o sindicato das jogadoras da WNBA durante as negociações de um novo acordo trabalhista com a liga.
Quando Goldin respondeu por e-mail a Terri Carmichael Jackson, diretora-executiva do sindicato, “lembro de ter lido e gritado de emoção”, disse Jackson. Goldin tinha uma condição: recusou receber qualquer pagamento.
Neste mês, as partes chegaram a um acordo coletivo que concedeu às jogadoras da liga quase 400% de aumento. Com isso, os salários médios nesta temporada passarão de US$ 580 mil.
Não se trata apenas do maior aumento salarial na história de uma liga nos EUA — é, segundo Goldin, o maior aumento já negociado por qualquer sindicato no mundo.
“É surpreendente”, disse a economista de 79 anos de Harvard.
Mike Bass, porta-voz que representa tanto a NBA quanto a WNBA, chamou o acordo de “transformador”.
“A comunidade da WNBA está celebrando corretamente um momento histórico de crescimento, investimento e progresso para jogadoras, fãs e o futuro do esporte”, afirmou.
Remuneração feminina
Goldin não praticava esportes quando crescia no Bronx, nos anos 1950, mas possui profundo conhecimento sobre remuneração feminina. Como economista, passou anos analisando pesquisas, registros de pessoal e dados para documentar a evolução das mulheres no mercado de trabalho, incluindo o impacto da discriminação nas diferenças salariais.
Goldin ganhou o Nobel por avançar na compreensão sobre os resultados laborais das mulheres. Ela obteve Ph.D. em Economia pela Universidade de Chicago em 1972, época em que havia poucas mulheres na área, e se tornou a primeira mulher titular no departamento de Economia de Harvard.
No início de 2024, quando Jackson a procurou, o salário médio de uma jogadora da NBA era de cerca de US$ 12 milhões, enquanto o da WNBA era de US$ 118 mil — menos de um centavo para cada dólar da NBA, destacou Goldin.
Ela analisou a compensação média das jogadoras — salários mais benefícios, como moradia — e a duração média de carreira. Usando dados desde a criação da liga em 1997, Goldin e uma assistente construíram uma “tabela de vida”, ferramenta usada por atuários de seguros, adaptada para estimar quanto tempo uma jogadora poderia atuar na WNBA. O resultado: duas ou três temporadas.
O acordo de mídia, base da receita da liga, é um contrato de 11 anos finalizado no verão de 2024, que pagará US$ 2,2 bilhões à WNBA. Em comparação, o acordo da NBA com os mesmos parceiros vale cerca de US$ 75 bilhões.
Goldin defendeu que a WNBA merecia um valor maior, considerando o crescimento de público e audiência. O porta-voz da liga discordou veementemente.
Durante as negociações salariais, Goldin manteve o foco em um ponto central: a fração da receita da liga destinada a salários e benefícios. Suas contas ajudaram a acalmar as jogadoras, disse Jackson.
“Cada vez que ficávamos frustradas com a resposta da liga, ela dizia: ‘É só matemática’”, lembrou Jackson.
Além da WNBA, Goldin aceitou outros dois convites pós-Nobel: participar do programa da NPR “Wait Wait…Don’t Tell Me!” e arremessar a bola inaugural em um jogo do Red Sox — mesmo sendo fã dos Yankees. Ela treinou por semanas e encantou a plateia ao lançar um strike.
“Você passa diante de centenas, milhares de pessoas torcendo por você. É maior do que ganhar o Nobel”, disse Goldin.
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