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O que a escolha do novo CEO da Apple significará para você e seu iPhone e outros aparelhos

Com John Ternus no comando a partir de setembro, a Apple reforça sua aposta em hardware na era da inteligência artificial

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O próximo CEO da Apple, John Ternus, é um especialista em hardware. Embora não seja possível afirmar com certeza o que seu mandato trará, há um consenso: a gigante de tecnologia vai recolocar o foco nos dispositivos.

Na segunda-feira (19), a empresa anunciou que Ternus assumirá o cargo máximo no lugar de Tim Cook em setembro.

Ternus entrou na Apple como engenheiro mecânico em 2001, antes de chegar à equipe de liderança em 2013. Ainda assim, mesmo nos anos seguintes, enquanto o software dominava o mundo, a Apple construiu sua posição de liderança em eletrônicos de consumo com base no hardware.

Você pode usar serviços do Google, da Meta, da Amazon, da Netflix e da Microsoft, mas há grandes chances de acessá-los em um iPhone, laptop ou tablet da Apple — ou nos três.

E agora, com a inteligência artificial em todos os setores, a Apple mostra que sua ênfase em hardware continua sendo uma vantagem competitiva.

Daí a escolha de um executivo de hardware para liderar a empresa.

Mesmo que o principal executivo de software da Apple, Craig Federighi, tenha carisma (e cabelo). Em um mundo em que é possível “programar por vibe” em minutos, faz sentido a Apple reforçar sua posição como fabricante de produtos físicos de alta qualidade.

Mas Ternus terá de fazer mais do que manter a máquina do iPhone funcionando. Assim como Cook, ele terá de lidar com questões geopolíticas complexas que ameaçam a cadeia de suprimentos da Apple e enfrentar disputas regulatórias ao redor do mundo. E também precisará descobrir como o hardware da Apple se encaixa em um futuro impulsionado por IA.

Veja o que pode ser extraído do histórico de Ternus e de sua ascensão iminente sobre o próximo capítulo da Apple.

O ‘fosso’ do hardware

A revolução da IA generativa transformou muitos aspectos da vida, mas a Apple demorou a embarcar nessa tendência, com recursos de “Apple Intelligence” considerados pouco impressionantes e uma Siri mais inteligente atrasada.

Ainda assim, enquanto empresas de IA competem entre si, a Apple reforça sua força em hardware premium com a escolha de Ternus. O comunicado de sucessão destacou o MacBook Neo, de US$ 599, como um dos feitos recentes dele.

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John Ternus, à esquerda, com Tim Cook: passagem de bastão no comando da Apple

Enquanto rivais no setor de PCs enfrentaram escassez de chips de memória, a Apple aproveitou um chip antigo do iPhone e sua força na cadeia de suprimentos para ganhar espaço, oferecendo produtos mais baratos e acessíveis. O Neo é tão popular que atualmente há uma espera de algumas semanas para recebê-lo.

A empresa tem se destacado tanto na ponta de baixo quanto na de alto padrão do mercado. Ternus também foi responsável pela linha iPhone 17, em que os modelos mais caros, Pro e Pro Max, venderam mais rapidamente do que em anos anteriores, segundo a Consumer Intelligence Research Partners.

Nem tudo, porém, são sucessos. O iPhone Air teve desempenho fraco de vendas. E outro produto promissor — o headset de realidade aumentada Vision Pro — ainda não conquistou o público de massa.

A Apple tem grandes apostas pela frente, incluindo um iPhone dobrável, um hub doméstico inteligente e, no futuro, óculos inteligentes, segundo o analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities (a Apple não comentou produtos futuros).

Ternus terá de assumir a mesma visão de produto que gerou os maiores sucessos da empresa. É difícil pensar em um futuro além do iPhone, mas quem assumir o comando terá de fazê-lo.

“O problema não é o curto ou o médio prazo, mas como a Apple vai encontrar novos motores de crescimento quando o impulso do iPhone começar a enfraquecer”, disse Francisco Jeronimo, vice-presidente da consultoria IDC.

IA na palma da mão – e com privacidade

Ternus tem a oportunidade de liderar em um campo em que outros ainda não conseguiram: a IA privada, executada no próprio dispositivo.

Os chips da Apple usam a chamada “memória unificada”, que integra processador, placa gráfica e memória RAM em um único componente, reduzindo atrasos e aumentando a largura de banda. Essa arquitetura torna os Macs ideais para rodar modelos de linguagem de IA localmente.

A eficiência desses chips ajudou a transformar o Mac Mini em um sucesso entre entusiastas de IA.

Johny Srouji, que anteriormente comandava os esforços de chips da Apple, passará a liderar toda a engenharia de hardware. Em comparação com a promoção de Ternus, manter Srouji na empresa pode ser tão ou mais importante, segundo analistas. “O silício é o maior diferencial atual da Apple.”

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Há concorrentes relevantes, incluindo o lendário ex-diretor de design da Apple, Jony Ive, que trabalha em um dispositivo para a OpenAI.

Segundo o Wall Street Journal, o produto não será um celular e deve buscar reduzir a dependência de telas. Ainda assim, é improvável que a OpenAI consiga replicar rapidamente a operação de semicondutores da Apple.

O próximo grande teste será quando a Siri receber novos recursos de inteligência ainda neste ano, em parte graças a uma colaboração com o Google anunciada em janeiro.

A Apple há muito tempo defende a privacidade como valor central, especialmente em apps de saúde e mensagens. E privacidade é algo que a IA baseada na nuvem não oferece facilmente.

Se a Apple conseguir rodar uma Siri com tecnologia do Gemini, do Google, diretamente em seus dispositivos, isso pode posicionar a empresa de forma mais sólida na era da IA — com Ternus à frente.

Talvez não seja preciso esperar muito para ver: a Worldwide Developers Conference da Apple, onde a empresa apresenta seus novos sistemas operacionais, começa em 8 de junho.

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