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O bilionário que desafia mísseis no Estreito de Ormuz com seus navios petroleiros

Correr em direção ao perigo fez com que George Prokopiou, de 79 anos, construísse uma fortuna desde que comprou seu primeiro petroleiro no início da década de 1970

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Correr em direção ao perigo rendeu uma fortuna ao bilionário George Prokopiou, hoje com 79 anos, desde que comprou seu primeiro navio-petroleiro no início da década de 1970

Mesmo na indústria de navegação, conhecida pela adrenalina, Prokopiou há muito é famoso por navegar perto do limite em busca de lucro.

Nesta semana, o magnata grego fez uma das jogadas mais ousadas de seus 55 anos de carreira no transporte de petróleo: enviou ao menos cinco navios pelo Estreito de Ormuz enquanto a guerra se intensificava no Oriente Médio.

Eles estão entre os poucos navios mercantes que navegaram pela via marítima desde que o conflito deixou milhares de embarcações presas e ameaçou desencadear uma crise energética global.

Rivais de Prokopiou, muitos com petroleiros parados no Golfo Pérsico, relutam em enviar mais navios por medo de que suas embarcações ou tripulações entrem na lista de vítimas.

A aposta do magnata é que importadores de petróleo pagarão tarifas altíssimas a um armador disposto a retirar o petróleo da zona de guerra. Alternativamente, produtores do Golfo podem fretar navios para armazenar petróleo no mar enquanto seus tanques em terra ficam cheios. Produtores no Iraque e no Kuwait já reduziram a produção por falta de espaço para armazenagem.

Guardas armados patrulharam os conveses dos navios de Prokopiou enquanto eles cruzavam o estreito com os transponders desligados para evitar atrair fogo do Irã, segundo dados de rastreamento de navios e pessoas familiarizadas com as viagens. Ainda assim, pouco poderiam fazer caso fossem atingidos por mísseis, drones ou minas magnéticas.

Correr em direção ao perigo rendeu ao empresário de 79 anos uma grande fortuna desde que comprou seu primeiro petroleiro no início dos anos 1970. Prokopiou fundou a Dynacom Tankers em 1991 e listou em Nova York, em 2013, uma empresa separada de gás natural liquefeito chamada Dynagas. A revista Forbes estima a fortuna da família Prokopiou em US$ 4,7 bilhões.

“Se você não é alguém que assume riscos, não está no setor de navegação”, disse Prokopiou à publicação especializada Tradewinds em 2014.

A Dynacom está pagando salários elevados aos marinheiros para realizar a perigosa viagem até portos na Arábia Saudita e em outros produtores de petróleo do Golfo, segundo pessoas a par do assunto.

Um porta-voz da Dynacom não respondeu aos pedidos de comentário.

Para Prokopiou, que costuma usar boné de beisebol e é conhecido na imprensa grega como o “rei do mercado imobiliário” por seus investimentos em propriedades, a recompensa pode ser um dos contratos de transporte marítimo mais lucrativos já firmados. A Dynacom chegou a oferecer petroleiros por até US$ 440 mil por dia — quatro vezes as tarifas pré-guerra —, segundo fontes. Até a manhã de sexta-feira, nenhum acordo havia sido fechado.

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Quase um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito passa pelo canal entre o Irã e Omã. O presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que a Marinha dos EUA protegeria os navios que navegassem pelo estreito, mas especialistas navais dizem que essa é uma tarefa perigosa e complexa.

O Irã enviou mensagens contraditórias sobre a ameaça aos navios mercantes. Na quinta-feira, a missão iraniana nas Nações Unidas afirmou que os EUA colocaram a segurança marítima em risco e que o país não fecharia o estreito.

No mesmo dia, a Guarda Revolucionária Islâmica disse ter atacado um petroleiro americano na parte norte do Golfo. Uma empresa de navegação dos EUA informou que um de seus navios foi atingido por uma explosão.

Empresas gregas de navegação controlam coletivamente a maior frota de petroleiros do mundo, dando a magnatas como Prokopiou um papel poderoso no mercado de petróleo e acesso em Washington. Elas fretam navios para tradings ou companhias petrolíferas, que os utilizam para transportar petróleo ao redor do mundo — ou, em situações raras, para armazená-lo no mar.

No século 20, rivais lendários do setor, Aristotle Onassis e Stavros Niarchos, lucraram quando a crise de Suez fez disparar as tarifas de petroleiros. Horas após a captura de Nicolás Maduro em janeiro deste ano, armadores em Atenas já estavam ao telefone com tradings organizando embarques da Venezuela, caso os EUA aliviassem sanções.

Prokopiou tem mais petroleiros que a maioria dos concorrentes, controlando 70 navios por meio da Dynacom, segundo um banco de dados da União Europeia. Vários deles estavam no Golfo Pérsico quando a guerra começou, de acordo com a empresa de rastreamento Kpler.

Desde então, ele enviou pelo estreito três navios transportadores de petróleo bruto e dois projetados para transportar derivados refinados, como gasolina.

Outro possível beneficiário do bloqueio é uma empresa sul-coreana que recentemente comprou dezenas de petroleiros e posicionou alguns deles no Golfo antes da guerra. A Sinokor teria fretado vários deles para a produtora dos Emirados Árabes Unidos Adnoc para atuarem como unidades flutuantes de armazenamento por até US$ 500 mil por dia, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Um porta-voz da Sinokor também não respondeu aos pedidos de comentário.

Não é a primeira vez que Prokopiou opera onde outros têm receio de navegar. Seus navios continuaram ativos no mercado russo nos últimos meses, segundo dados de rastreamento. A atividade permanece legal, mas uma fiscalização mais rígida das sanções — além de tarifas mais lucrativas em outras rotas — levou outros armadores gregos a recuar no ano passado.

Um dos petroleiros da Dynacom que passou pelo estreito nesta semana, o Smyrni, havia acabado de retornar de uma viagem transportando petróleo de um porto russo no Mar Negro para a Índia.

No início da guerra na Ucrânia, Kiev criticou Prokopiou e vários concorrentes por seu envolvimento com o petróleo russo, afirmando que isso financiava o conflito.

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Mas ele também ajudava a Europa. A empresa de gás natural liquefeito de Prokopiou fretou dois terminais flutuantes de importação para a Alemanha quando a maior economia da Europa corria para construir infraestrutura capaz de substituir o gás russo.

“Sanções nunca funcionaram”, disse Prokopiou em uma conferência do setor em Atenas em 2022. “Os iranianos ficaram mais fortes, mais resilientes e mais autossuficientes. Os venezuelanos sofreram, mas os ricos se divertiram.”

Escreva para Joe Wallace em joe.wallace@wsj.com e Costas Paris em costas.paris@wsj.com.

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