Bolsas e petróleo despencam: medo de recessão global domina os mercados

No Brasil, os mercados seguiram a piora de humor global, com Ibovespa em queda de 2,96% e dólar em alta, fechando a R$ 5,83

A imagem exibe uma tela de cotações de mercado financeiro com índices negativos em vermelho e um positivo em verde, sobre um fundo azul escuro.
Foto: AdobeStock

As ações fecharam em forte queda no mundo todo nesta sexta-feira (4). O dólar disparou 3,7% e o petróleo fechou no nível mais baixo em mais de três anos.

Tudo isso depois que a China mostrou-se disposta a intensificar sua luta contra a guerra comercial do presidente Donald Trump. A reação dos mercados reflete a preocupação com o efeito dessa guerra tarifária sobre a economia global – que sobrepôs aos dados de emprego nos Estados Unidos, mostrando um mercado de trabalho ainda sólido.

Seguindo o mau humor global, o Ibovespa recuou 2,96%, a maior queda do ano, e fechou em 127.257,58 pontos, o menor patamar desde 14 de março. Apenas três empresas que compõem o índice fecharam o dia com variação positiva: Carrefour, Klabin e Minerva.

E o dólar fechou com alta 3,72%, a R$ 5,83.

O temor por uma recessão global fez os contratos futuros do petróleo Brent caírem 6,5% e fecharam a US$ 65,58 por barril. Já os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, caíram 7,4%, a US$ 61,99.

“Para mim, esse é provavelmente um valor próximo do justo para o petróleo até que tenhamos algum tipo de indicação de quanto a demanda foi realmente reduzida”, disse Scott Shelton, especialista em energia da United ICAP, à Reuters.

“Minha opinião é que provavelmente acabaremos na casa dos US$ 50 no curto prazo para o WTI, de forma muito violenta”, afirmou ele, alertando que a demanda sofreria com as atuais circunstâncias do mercado.

Sinalização dúbia de Powell

As ações pelo mundo afora ampliaram as perdas depois que o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que o impacto econômico das novas tarifas provavelmente será significativamente maior do que o esperado, e que há risco tanto de uma inflação mais persistente quanto de alta no desemprego.

A fala dá uma sinalização dúbia, já que inflação se combate elevando juros e desemprego, reduzindo. Não dá para fazer os dois ao mesmo tempo, o que dá uma ideia do caos instaurado.

O S&P 500 registrou queda de 4,88%, enquanto o Nasdaq 100 recuou 6,07%. Durante o dia, ele pairou perto do limite do chamado bear market (quando as ações caem além de 20% desde o pico mais recente, desencadeando uma espiral negativa).

Os rendimentos do Treasury de 10 anos caíram para 4,01%. Os mercados monetários precificam quatro reduções de taxas este ano e a chance de uma quinta, com alguns apostando em um corte do Federal Reserve entre reuniões.

“Embora a incerteza permaneça elevada, agora está ficando claro que os aumentos de tarifas serão significativamente maiores do que o esperado”, disse Powell em comentários preparados na sexta-feira para a conferência anual da Society for Advancing Business Editing and Writing. “O mesmo provavelmente será verdade para os efeitos econômicos, que incluirão inflação mais alta e crescimento mais lento.”

Resposta chinesa

A notícia que abalou hoje os mercados foi a retaliação da China às tarifas de Trump impostas ao país: 34% adicionais sobre todos os produtos americanos a partir de 10 de abril. Pequim também anunciou controles às exportações de terras raras para os EUA nesta sexta – sem esses minerais, não é possível fabricar baterias de carros elétricos, por exemplo.

A expressão “guerra comercial” nunca soou tão literal.

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