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Calendário de balanços: o que esperar de Cosan, CSN, Magalu e Casas Bahia na semana

Mercado deve acompanhar avanço no processo de reestruturação de Cosan e CSN e também capacidade de gerar retorno de MRV e Casas Bahia

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A nova semana de balanços do quarto trimestre traz mais nomes de peso da bolsa brasileira, como Cosan e CSN. Além das duas gigantes de commodities, nos próximos dias, grandes varejistas e construtoras também divulgam os resultados.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 09/03 a 13/03:

Segunda-feira (9 de março)

Cosan (CSAN3)

O mercado busca sinais de que 2026 possa ser o ano da virada para a holding. E também sobre como serão as negociações para a capitalização da Raízen, joint venture com a Shell. A companhia fundada por Rubens Ometto realizou em setembro do ano passado um aumento de capital de mais de R$ 10 bilhões. A operação marcou a entrada do BTG Pactual e da gestora Perfin no quadro acionário.

  • Reestruturação: a empresa está em uma encruzilhada porque precisa reduzir riscos financeiros e retomar a eficiência operacional. Os dados do quarto trimestre serão os primeiros pós-injeção de R$ 10 bilhões.
  • Raízen: a crise da produtora de combustíveis renováveis é um dos calcanhares de Aquiles da companhia. Com uma dívida líquida de mais de R$ 50 bilhões, a Raízen precisa urgentemente de uma reestruturação financeira, seja via aporte de recursos, seja via recuperação extrajudicial, alternativas que já foram colocadas na mesa.
  • Compass: a Cosan apresentou um pedido de registro para o IPO (oferta inicial de ações) de sua controlada Compass Gás e Energia, dona da Comgás. A oferta será secundária, ou seja, sem emissões de novas ações e com os recursos indo diretamente para o caixa da Cosan, que busca levantar R$ 5 bilhões.
  • Preço-alvo das ações em 12 meses (consenso): R$ 8,83. Dividend yield (retorno com dividendos) em 12 meses (consenso): sem previsão

MRV (MRVE3)

A prévia operacional indicou números resilientes em vendas no quarto trimestre, mas a rentabilidade ainda é o ponto de interrogação para os analistas.

  • Consumo de caixa: A principal preocupação é se a empresa conseguiu frear a queima de caixa, que ficou acima das estimativas em trimestres anteriores.
  • Margens no Brasil: Espera-se uma melhora gradual, refletindo o repasse de custos e o novo mix de produtos do Minha Casa Minha Vida, como a nova faixa 4, destinadas a famílias com renda mensal de R$ 8,6 mil a R$ 12 mil.
  • Preço-alvo em 12 meses (consenso): R$ 10,72. Dividend yield em 12 meses (consenso): sem previsão

Terça-feira (10 de março)

Prio (PRIO3)

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A petroleira tem mantido o foco em eficiência operacional e também tem se beneficiado do cenário de preços de petróleo mais altos em meio à guerra no Oriente Médio. A Prio também tem ocupado um espaço nas carteiras dos investidores deixado pela Petrobras, já que muitos gestores interessados no setor de petróleo vêm buscando menos exposição à estatal em um ano de eleições presidenciais.

  • Produção Estável: analistas esperam números de extração sólidos, especialmente nos campos de Frade e Albacora Leste.
  • Custos de extração: A expectativa é que a Prio mantenha sua eficiência, segurando o custo de extração em patamares baixos.
  • Expansão: Investidores buscarão pistas sobre novas aquisições ou o progresso no desenvolvimento do campo de Wahoo ou ainda sinais de que há maturidade financeira para distribuição futura de dividendos.
  • Preço-alvo em 12 meses (consenso): R$ 56,70. Dividend yield em 12 meses (consenso): sem previsão

Quarta-feira (11 de março)

CSN (CSNA3)

O setor de mineração e siderurgia enfrenta um cenário dividido, com a demanda na China e custos domésticos no radar. A CSN pretende vender, ao longo do ano, participações na CSN Cimento e na CSN Infraestrutura. O objetivo é reduzir o endividamento em até R$ 18 bilhões.

  • Performance da siderurgia: Expectativa de volumes (quantidade de aço produzida) estáveis, mas com margens (o percentual de lucro sobre a receita) pressionadas pelo aumento do custo de insumos e energia, além da concorrência do aço importado, especialmente da China.
  • Mineração (CMIN3): O resultado da subsidiária será chave, com analistas projetando um fluxo de caixa livre (o dinheiro que sobra depois de custos e investimentos) positivo devido ao volume de exportação.
  • Alavancagem (endividamento): A relação entre a dívida líquida e o Ebitda – ou seja, quantos anos a companhia levaria para pagar suas dívidas usando sua geração operacional de caixa – de 4,8 vezes continua sendo o principal indicador monitorado, dado o histórico do grupo. Em geral, níveis de até duas vezes são considerados saudáveis, o que evidencia a situação financeira sensível da companhia.
  • Preço-alvo em 12 meses (consenso): R$ 10. Dividend yield em 12 meses (consenso): 8,9% (CMIN3)

Casas Bahia (BHIA3)

A empresa segue em seu plano de reestruturação com foco em rentabilidade em lugar de crescimento de volume de vendas. Em agosto de 2025, a gestora Mapa Capital assumiu o controle do grupo, com 85% de participação, após converter em ações as debêntures adquiridas do Bradesco e do Banco do Brasil. O novo controlador reafirmou que daria prioridade à eficiência operacional.

  • Busca por margem: Analistas esperam ver um foco maior em serviços e nas vendas pelo marketplace.
  • Redução de despesas: O mercado monitora se o corte de custos fixos e fechamento de lojas está surtindo efeito no lucro operacional.
  • Queima de caixa: O grande desafio continua sendo estabilizar o caixa e convencer o mercado de que o pior da reestruturação financeira passou. Com o fim do plano, anunciado em dezembro de 2025, a companhia obteve uma redução de cerca de R$ 3 bilhões em seu endividamento.
  • Preço-alvo em 12 meses (consenso): R$ 3,90. Dividend yield em 12 meses (consenso): sem previsão

Quinta-feira (12 de março)

Magalu (MGLU3)

A Magalu inaugurou em dezembro a loja-conceito Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, em São Paulo. Nos cálculos do mercado, o novo formato tem potencial de gerar até 10 vezes mais vendas do que as lojas tradicionais. A rede varejista tem concentrado esforços na eficiência operacional para atenuar o impacto de um cenário ainda desfavorável, com concorrência acirrada e consumidores endividados.

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  • Cenário apertado: Espera-se que o desempenho do e-commerce tenha sido o motor do trimestre, com ganho de participação de mercado.
  • Lucratividade: Após retornar ao lucro em trimestres anteriores, a dúvida é se a empresa consegue manter a consistência com juros ainda elevados.
  • Marketplace e Serviços: O crescimento do Magalu Ads (plataforma de publicidade para marcas e vendedores) e da Luizacred (plataforma de serviços de crédito e produtos financeiros em parceria com o Itaú) será essencial para sustentar a expansão das margens.
  • Preço-alvo em 12 meses (consenso): R$ 5,60. Dividend yield em 12 meses (consenso): sem previsão
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