Em uma série de publicações nas redes sociais, o presidente Donald Trump reafirmou seus planos de anexar a Groenlândia. Segundo ele, o território – que pertence à Dinamarca – é estratégico para a segurança dos Estados Unidos. Trump já havia ameaçado aumentar tarifas caso não seja atendido.
A Dinamarca, claro, não gostou nada da história. E a União Europeia já sinalizou que pode retaliar com taxas. O tema, inclusive, deve nortear as discussões do Fórum Econômico Mundial, que acontece nesta semana em Davos, na Suíça.
“Com isso, o mercado adota uma postura mais cautelosa enquanto aguarda o discurso de Donald Trump em Davos, previsto para amanhã”, disse Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.
Também houve pressão nos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos. Depois de quatro dias de entradas, os fundos viraram para saídas e registraram US$ 394 milhões em resgates ontem, o que aumenta a pressão sobre os preços das criptos.
No mercado acionário, o dia também começou pesado: o Dow Jones recua 1,36%, o S&P 500 cai 1,54% e o Nasdaq escorrega 1,86%.
Ouro (até o tokenizado) dispara
Em meio a esse cenário conturbado, os investidores correm para os chamados portos seguros. O ouro, por exemplo, renovou sua máxima histórica e é negociado a US$ 4.729 por onça-troy na manhã de hoje.
Esse movimento também respingou nas chamadas stablecoins de ouro – ou seja, criptomoedas lastreadas no metal. A XAUT, emitida pela Tether, viu seu valor de mercado aumentar em US$ 40 milhões nas últimas 24 horas, chegando a US$ 2,45 bilhões.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h50.
Bitcoin (BTC): -2,03%, US$ 91.232,44
Ethereum (ETH): -3,81%, US$ 3.103,10
XRP (XRP): -1,94%, US$ 1,93
BNB (BNB): -1,56%, US$ 913,24
Solana (SOL): -3,50%, US$ 129,02
Outros destaques do mercado cripto
Brasil e Brics flertam com cripto própria. A ideia de criar uma criptomoeda para os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) voltou ao radar. O Banco Central da Índia sugeriu que os membros do bloco conectem suas moedas digitais para facilitar o comércio entre eles. Na prática, isso reduziria a dependência do dólar – e, de quebra, deve continuar irritando Donald Trump, que já ameaçou impor tarifas ao grupo por causa desse papo no passado.
Tesouraria brasileira para de comprar BTC. A OranjeBTC, maior tesouraria de bitcoin do Brasil, deu uma pausa longa nas compras da criptomoeda. A última aquisição foi no início de dezembro. Desde então, a empresa vem preferindo recomprar as próprias ações. Segundo a companhia, essa estratégia foi adotada porque o mercado segue precificando seus papéis com desconto em relação ao valor do bitcoin que ela mantém em caixa.
NYSE tokenizada. A Bolsa de Nova York (NYSE) anunciou que quer lançar ainda este ano uma plataforma de negociação de ações e ETFs tokenizados, com funcionamento 24 horas por dia, 7 dias por semana. A ideia é usar blockchain privada para permitir negociação em tempo real, liquidação instantânea e até ordens em valor fixo em dólar, com pagamentos e depósitos feitos via stablecoins. O projeto ainda precisa do aval dos reguladores.
Portugal barra apostas políticas cripto. Portugal mandou a Polymarket sair do país em até 48 horas após a plataforma de apostas cripto ganhar tração durante a eleição presidencial do último domingo. As apostas sobre o resultado passaram de 103 milhões de euros (R$ 653 milhões). O regulador português disse que o protocolo não tem licença para operar no país e que apostas em eventos políticos são proibidas pela lei local. Por enquanto, o site segue no ar, mas as autoridades podem pedir que provedores de internet bloqueiem o acesso.
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