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Criptomoedas: o que são e como investir de forma segura

Elas são milhares no mundo; muito se fala, mas pouco se sabe a fundo como funcionam.

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Criptomoedas

As criptomoedas têm atraído atenção. Apesar de o bitcoin ser a moeda digital mais conhecida, há milhares no mundo. Elas despertam curiosidade, além de gerar desconfiança e dúvidas, já que muito se fala, mas pouco se sabe sobre elas.

Você sabe o que são e para que servem as criptomoedas? Sabe a diferença para as moedas regulares? Elas são seguras?

Para esclarecer essas dúvidas, o InvestNews preparou um guia completo sobre criptomoedas. Confira a seguir.

O que são criptomoedas?

São moedas digitais e recebem esse nome pois, por meio da criptografia, as transações são confirmadas. Além disso, diferentemente das moedas regulares, elas não podem ser tocadas, ou seja, só existem na internet.

Felippe Percigo, professor de MBA em Finanças Digitais e Blockchain, explica que as criptomoedas são moedas que usam tecnologias para serem mais seguras e que uma das  característica que elas têm em comum é que funcionam somente dentro da internet, é o dinheiro da internet, sendo 100% virtual.

Orlando Telles, diretor de research da Mercurius Crypto, aponta que a principal diferença das moedas digitais para as fiduciárias é que elas  são descentralizadas, ou seja, não existe um único player que define a política monetária, a quantidade de emissão de ativos e checagem de restrições, por exemplo. “Há um código por trás com as “regras do jogo”. Tudo já está previamente definido e ela não fica centralizada em um único servidor, em uma base de dados, mas está descentralizada em vários pontos da rede”, diz.

O único fator existente é o chamado sistema blockchain. Ele nada mais é do que um tipo de livro eletrônico onde são registradas todas as transações de usuários espalhados pelo mundo. Desta forma, este processo facilita e agiliza a verificação no banco de dados, além de evitar possíveis ações invasoras no sistema, garantindo, assim, confiabilidade e segurança nas transações.

Para que servem as criptomoedas

São milhares os tipos de criptomoedas, com objetivos distintos. Percigo explica que elas foram criadas para substituir moedas. A ideia principal, segundo ele, é que essas moedas digitais fossem uma moeda para substituir o dólar mas, com o passar do tempo, foram surgindo outras delas que geraram propósitos diferentes. “Cada criptoativo tem uma função: uso como moeda, usar como reserva de valor ou usar para outras aplicações de formas descentralizadas”, explica o professor.

Entre os principais tipos, estão:

  • Payment currencies: tem como objetivo  ser um meio de pagamento para a troca de bens e serviços. A finalidade deste tipo de criptomoeda é realizar transações financeiras de forma rápida, prática, ser aceita como moeda e representar segurança. Dentro desta categoria, estão o bitcoin, a litecoin e o XRP. Todas essas criptomoedas buscam realizar a mesma função como meio de pagamento digital.
  • Blockchain economies: o objetivo destes ativos é ser uma plataforma para o desenvolvimento de aplicações descentralizadas e soluções inteligentes através de tokens que usam a sua blockchain como base. Essas plataformas permitem o desenvolvimento de outras criptomoedas e tokens.
  • Utility tokens:  esse tipo de criptmoeda é utilizado para realizar a troca por um bem ou serviço, sendo baseado em uma blockchain economy. Basicamente, esses ativos são o resultado das aplicações descentralizadas criadas através da moeda digital ethereum. Esses tokens podem ser utilizados para remunerar algum tipo de serviço.

O que é mineração?

Minerar criptomoedas é, basicamente, o processo da verificação das transações dentro do sistema blockchain. Para melhor entender, fazemos um comparativo com as transações bancárias: ao realizar um Pix, DOC ou TED, essas transações vão para um servidor, que faz o processamento e efetua a transação. No caso dos bancos, estes servidores ficam em algum lugar físico. Se acontecer algum problema, o sistema fica fora do ar por um tempo. Assim, trata-se de um meio tradicional.

A mineração faz algo semelhante, mas de uma forma descentralizada e espalhada pelo mundo. Ou seja, o processo de mineração consiste em pessoas em computadores específicos, com processadores potentes e capazes para verificações de transações de criptoativos, que fazem cálculos matemáticos complexos para verificar se a transação é verdadeira e, consequentemente, poder ser efetuada. Minerar bitcoin é uma das formas mais conhecidas, porém, existem outras moedas digitais que também podem ser mineradas.

Percigo explica que a principal diferença do meio tradicional é que, com as criptomoedas, o meio é descentralizado e qualquer pessoa pode participar.

Telles diz que, com o recurso blockchain, as transações vão sendo registradas nas página dessa espécie de livro e, conforme essas paginas vão passando e sendo preenchidas, elas precisam ser validadas. Para isso, a rede paga uma espécie de prêmio em criptoativos para quem encontra essa nova página para registros, adicionam as transações e, assim, sucessivamente, mantendo um processo contínuo para as transações serem validadas. Desta forma, os mineradores nada mais são que os validadores de transações.

Variação de preço dessas moedas digitais, como funcionam

Assim como investir em ações, o investidor em criptomoedas está sujeito às volatilidades  das moedas digitais e não é possível prever seus preços.

Percigo explica que, comparado com o mercado de ações, para comprar um papel, o investidor verifica valuation, ebitda, vários indicadores fundamentalistas que ajudam na tomada de decisão. Já no mercado de criptos, segundo o professor, alguns indicadores estão surgindo, mas, basicamente, o que mexe com a variação de preço é a oferta e a demanda. “É oferta e demanda. Se tem quem queira pagar, o preço do criptoativo sobe. Caso contrário, desce”, diz.

Investir em criptomoeda é seguro?

Por ser um mercado descentralizado e volátil, Telles alerta que é fundamental que a pessoa interessada em investir em  criptoativos estude muito sobre este mercado e as moedas.

Ele recomenda que, antes de qualquer investimento, se conheça bem as moedas digitais que deseja comprar, como ela funciona, seu propósito, o que a faz ter valor, os desenvolvedores que estão por trás, se ela tem potencial no futuro e verificar a idoneidade das empresas por meio da qual será feito o investimento. “Tem que ter cuidado e a palavra de ordem é estudar. Isso é fundamental para investir neste mercado”, orienta.

Percigo reforça as recomendações sugerindo que o investidor  verifique o tamanho do mercado, o quanto de dinheiro tem lá dentro, observar se a moeda digital não é muito pequena, com pouca liquidez e volume. Segundo ele, é  recomendável investir em criptoativos que tenham a partir de R$ 1 bilhão de tamanho de mercado, por ser mais seguro. “É preciso fazer um filtro da criptomoeda. Não garante sucesso, mas elimina chances de riscos e golpes”, alerta.

Principais criptomoedas

Se você pesquisar sobre criptomoedas hoje, são milhares as disponíveis no mundo. Confira os nomes de criptomoedas mais conhecidas e seus objetivos:

  • Bitcoin: é a criptomoeda mais conhecida. Ela foi criada para ser usada exclusivamente como moeda  em 2008, e publicada na internet por Satoshi Nakamoto, porém, não se sabe de fato quem ou quantas pessoas criaram a criptomoeda.
  • Ethereum: criada em 2015, é um sistema para aplicações de blockchain. Sua plataforma foi desenhada de forma a conseguir abranger contratos inteligentes, tokens e outras criptomoedas. O processo de mineração também é diferenciado. Neste caso, placas de vídeo são as principais responsáveis pela mineração.
  • Bitcoin cash: ela foi criada em 2017 com o objetivo de atualizar o protocolo e até mesmo substituir o bitcoin, por meio do chamado hard fork, uma espécie de divisão do bitcoin, devido às discussões sobre sua limitação. Porém, por falta de consenso, ela surgiu como uma nova criptomoeda. O principal objetivo dela é ser usado como moeda de troca.
  • Ripple:  ela foi criada por uma empresa com a finalidade de ser utilizada para transações entre países e grandes instituições financeiras, para melhorar o mercado de transferências. De forma geral, este ativo vende o serviço financeiro de fazer a conexão entre bancos e empresas de pagamento a uma rede onde transferências podem ser feitas por meio de blockchain.  Ela não é um criptoativo mineirado.
  • Litecoin: criado em 2011, está entre as principais criptomoedas. Ela é aceita como uma solução de pagamento em vários lugares.  O objetivo deste criptoativo é tornar a criptomoeda mais acessível.
  • Dogecoin: surgiu partir de um meme da internet. Lançada em 2014,  Billy Markus, um dos seus desenvolvedores, começou a trabalhar no código da Dogecoin para homenagear o meme do cachorro japonês da raça Shiba Inu, que ganhou notoriedade nas redes no ano anterior.  Tanto que a moeda tem como identidade a imagem do animal. O principal objetivo da Dogecoin é funcionar como uma criptomoeda passível de ser comercializada em corretoras e utilizada para fins de investimento.
  • Binance Coin: seu principal objetivo é alimentar as operações de câmbio, proporcionando conveniência e acessibilidade aos comerciantes e entusiastas de criptomoedas. A moeda foi lançada em julho de 2017, criada para capacitar a plataforma de criptomoeda e impulsionar suas operações para estabelecer um ecossistema sustentável. A moeda pode ser usada para vários propósitos, incluindo o pagamento da taxa de cotação, taxa de câmbio, taxa de negociação ou quaisquer outras cobranças de troca. 
  • Polkadot: oferece a possibilidade de interconectar diferentes blockchains. O criptoativo busca romper os monopólios da Internet e capacitar usuários individuais. O conceito foi pensado inicialmente por Dr. Gavin Wood.
  • Tether: foi lançada no ano de 2014, inicialmente como RealCoin. O objetivo desta criptmoeda é ser um intermediário/facilitador, uma espécie de ponte entre o mercado cripto e o setor financeiro tradicional.
  • Cardano: passou a ser desenvolvida em 2015, com criação de Charles Hoskinson. É uma plataforma que busca executar variados aplicativos financeiros descentralizados, que possam melhorar ações financeiras para empresas, pessoas ou governos. Assim, ela faz a integração de diversas funcionalidades em um só lugar.

Criptomoedas promissoras para 2021

Para Felippe Percigo, entre as criptomoedas promissoras, as melhores criptomoedas para investir, que terão importância no futuro, são as concorrentes da ethereum, como  cardano, solana e silica. “São bons projetos para os próximos anos, pois, como são concorrentes da ethreum, vão encontrar um lugar de destaque no mercado e ter potencial  de crescimento. Elas subiram bastante, então mostra que tem demanda no mercado por elas”, defende.

Já para Orlando Telles, da Mercurius Crypto, a ideia de aplicações em blockchain  tem crescido e, segundo ele, muitas empresas têm olhado para esse mercado com muito valor, principalmente pela ideia de criar novos negócios, digitalizar a economia, cenário impulsionado pela pandemia de covid-19.

“Qualquer  categoria de criptoativos que possibilita as plataformas de contrato inteligente, que é pegar e criar através de um código blockchain sem precisar de uma empresa, essas são as criptmoedas que mais têm potencial para se valorizar nos próximos anos, principalmente ethereum e solano”, aponta.

Telles destaca ainda outras moedas virtuais promissoras, como a Aave. Ele explica que o criptoativo tem apresentado boa governança, fez excelentes atualizações, se provou um protocolo sólido e foi o que menos sofreu com as quedas do mercado. “E esse protocolo pode apresentar performance interessante, pois lançou um pool de liquidez para investidores institucionais’, destaca.

Outra moeda digital que o diretor de research da Mercurius Crypto destaca é o uniswap. Segundo ele, a cripto está performando muito bem e passou por uma versão onde aumentou sua eficiência de capital. Assim, com sua atualização, de acordo com Telles, o criptoativo se tornou mais eficiente e, com isso, com mais receita, com menos custo e, consequentemente, maior valor. “Tem possibilidade de aumentar sua base de usuários, tem bom potencial, bom futuro e boa governança”, ressalta.

Por fim, uma outra criptomoeda promissora na visão de Telles é a chainlink. “É considerada a base de tudo dentro do mercado de cripto. O protocolo consegue fornecer informações de oráculos que são intermediadores entre o mundo real e o blockchain, possibilitando inúmeras possibilidades dentro dos contratos inteligentes”, afirma.

Como acompanhar a cotação de criptomoedas

Por ser um mercado descentralizado, sem regulamentação, é preciso atenção e um esforço maior dos investidores para acessar boas informações e acompanhar as cotações de criptomoedas.

O professor Felippe Percigo explica que, devido à descentralização, não existe uma plataforma oficial de cotações e que, por isso, as pessoas vão criando veículos para ajudar as demais a terem acesso a informações.

Ele sugere dois sites para quem deseja informações sobre cotações, entre outras do mercado de criptoativos: www.coin360.com, que mostra as criptomoedas e suas cotações em tempo real. Segundo ele, é uma boa ferramenta para quem quer ver somente o preço. Já para quem deseja estudar um pouco mais sobre este mercado, ele recomenda o site www.coinmarketcap.com.

Percigo lembra ainda que o mercado de criptos é igual ao de ações, ou seja, regido por expectativa e realidade, a expectativa futura do que pode acontecer e, assim, também acaba apresentando volatilidades.

Telles recomenda outras dicas para acompanhar as cotações, como : sempre olhar esse mercado em dólar, pois trata-se de um mercado global, acompanhar informações por meio de corretoras deste segmento, além dos principais sites de notícias sobre o assunto, como o www.coindesk.com.br, por exemplo.

Como investir em criptomoedas

São várias as formas de comprar criptomoedas, mas as duas principais delas são: para quem tem receio, dúvidas e não sabe como comprar, mas já possui conta em alguma corretora, é recomendável fazer o investimento por meio de produtos financeiros, como em ETFs de criptomoedas. Assim, é uma alternativa para quem deseja investir em moedas digitais com segurança dos principais órgãos fiscalizadores do país e respaldo da bolsa de valores.

Uma segunda opção é investir por meio de corretoras específicas destes ativos, as chamadas exchanges. Nela, basta fazer o cadastro na plataforma, enviar a documentação necessária, depositar um valor e fazer a compra dos criptoativos de interesse, buscando sempre por corretoras conhecidas, idôneas, que tenham história e tempo de mercado para evitar cair em golpes.

Vantagens e riscos de investir em criptomoedas

Assim como diversos investimentos, as criptomoedas têm suas vantagens e riscos.

Entre as principais vantagens apontadas pelos especialistas, estão:

  • Boa rentabilidade no longo prazo.
  • Exposição ao dólar.
  • Proteção para a carteira de investimentos ou patrimônio, já que não é um ativo confiscável.
  • Oportunidade de investimento, já que o mercado de criptoativos possui ainda poucos investidores.

Por outro lado, olhando para possíveis riscos e desvantagens, os especialistas apontam:  

  • Falta de regulamentações, com a possibilidade de países quererem ser mais rígidos nas regras.
  • Maior risco de fraudes e golpes.

Percigo defende que as criptomoedas estão se consolidando como um ativo de risco e enxerga um futuro positivo. “Vejo o mercado de cripto evoluindo, indo para outras áreas e projetos vinculados à tecnologia blockchain. Enxergo um futuro promissor, como a internet nos anos 90, apenas começando. Eu vejo com bons olhos, com certeza”, destaca.

Já Telles diz enxergar um universo que vai parar de falar no mercado de criptomoeda e mercado tradicional e que vai unir os dois.

“Vejo que estamos em um processo rápido de isso acontecer. Acredito que vamos passar por processos de regulação forte, vai ter muitos fundos de investimentos lançados no mercado de criptos, mas não apenas focado em bitcoin. Haverão também outros criptoativos com relevância igual, ou maior, que o bitcoin. Acredito muito que veremos grandes empresas dos setores de tecnologia e financeiro adotando cripto de alguma forma. A regulação é a palavra-chave, é o ponto que falta para acontecer com mais frequência”, defende.

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