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Bitcoin sobe com inflação americana no radar, mas alta não convence

O apetite por risco segue contido, em meio a incertezas macroeconômicas e juros ainda elevados

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O bitcoin (BTC) ensaiou uma recuperação nesta sexta (20) e voltou a ser negociado na faixa dos US$ 67 mil, no dia da divulgação do PCE – o índice de inflação preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para orientar decisões de política monetária.

A expectativa do mercado é de alta de 0,3% no mês e de 2,7% em 12 meses. Um dado mais comportado reforça a narrativa de cortes de juros; uma leitura acima do esperado tende a esfriar esse cenário.

Ainda assim, a leve alta do BTC pouco altera o pano de fundo: o apetite por risco segue contido, em meio a incertezas macroeconômicas e geopolíticas e juros ainda elevados.

Se terminar o sábado (21) no patamar atual, a maior criptomoeda do mercado terá acumulado cinco semanas consecutivas de queda – a pior sequência desde março de 2022, quando recuou por nove semanas seguidas em meio ao colapso do ecossistema Terra.

Um sinal dessa cautela aparece no mercado de opções de criptomoedas, onde é possível negociar contratos que dão ao investidor o direito de vender bitcoin a um preço determinado no futuro.

Por lá, aumentou a procura por opções de venda com preços de exercício em US$ 60 mil, US$ 50 mil e até US$ 40 mil, segundo a corretora Deribit. São níveis bem abaixo da cotação atual.


Dois movimentos podem estar por trás dessa corrida. O primeiro é proteção: quem já tem BTC compra essas opções como um seguro. Se o preço cair forte, consegue vender por um valor maior e limitar perdas.

O segundo é aposta na queda: traders também podem comprar esses contratos esperando uma desvalorização. Se o bitcoin recuar, o valor das opções sobe – e eles lucram com isso.

“O clima de aversão ao risco global tende a reduzir o apetite por ativos voláteis como o bitcoin, podendo pressionar o preço ainda mais caso as tensões geopolíticas persistam ou se intensifiquem”, disse André Franco, CEO da Boost Research.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  +1,43%, US$ 67.424,01

Ethereum (ETH): -0,17%, US$ 1.946,39

XRP (XRP): -0,22%, US$ 1,40

BNB (BNB): +0,77%, US$ 609,12

Solana (SOL): -3,29%, US$ 83,77

Outros destaques do mercado cripto

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Tokenização passa de R$ 1 bi em janeiro. Janeiro foi forte para a tokenização no Brasil. As empresas emitiram cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos tokenizados, segundo o RWA Monitor, portal que acompanha esse mercado na América Latina. Entraram na conta Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Cédulas de Produto Rural (CPRs), debêntures, duplicatas, notas comerciais, entre outros. O recado é claro: o mercado brazuca de ativos reais na blockchain segue ganhando tração.

OranjeBTC recompra ações. A OranjeBTC, maior tesouraria cripto do Brasil, segue sem aumentar posição em bitcoin. Por enquanto, a prioridade ainda é recomprar as próprias ações. Na semana passada, a firma recomprou 20 mil a um preço médio de R$ 6,53. A empresa avalia que seus papéis estão sendo negociados com desconto em relação ao valor patrimonial. Desde a estreia na bolsa, em outubro de 2025, as ações da companhia acumulam queda de 72%.

USDT perde fôlego. Depois de meses de crescimento quase contínuo, a USDT, maior stablecoin do mundo, caminha para sua maior retração mensal desde o fim de 2022. Em fevereiro, cerca de US$ 1,5 bilhão saiu de circulação, em meio à recente queda do mercado cripto e à migração parcial de capital para rivais como o USDC, que segue em expansão. Ainda assim, o setor de stablecoins como um todo continua crescendo e já soma mais de US$ 300 bilhões, impulsionado por maior adoção de empresas financeiras e pelo apoio político nos EUA.

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