Por volta das 9h, a maior cripto do mercado era negociada na faixa dos US$ 92 mil, com avanço de 1,61%.
Esse dado de inflação dos EUA, junto com o relatório de emprego (payroll), é um dos principais termômetros usados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para decidir os rumos da política monetária.
Uma inflação mais baixa e um mercado de trabalho sem sinais de superaquecimento abrem espaço para cortes de juros – o que costuma beneficiar as criptomoedas e outros ativos de risco.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, que mede as expectativas do mercado, 95% dos agentes apostam que o Fed vai manter os juros inalterados na reunião deste mês – ou seja, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Há outro ponto que deve respingar no mercado cripto nesta semana: a votação do Clarity Act, um projeto de lei federal nos Estados Unidos que busca criar um marco regulatório claro para ativos digitais. A votação está marcada para quinta-feira (15).
O projeto tenta resolver uma das maiores questões do setor: quem regula o que no mercado cripto americano – se é a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, em inglês), a Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities (CFTC, em inglês) ou outro órgão.
“O CPI e o Clarity são os fatores decisivos desta semana. Um resultado fraco (da inflação) mantém os cortes de juros em jogo, e a aprovação (do projeto de lei) elimina uma incerteza de longa data”, disse o estrategista Jasper de Maere, da Wintermute.
ETFs e geopolítica
Segundo a Bitfinex, embora a perspectiva de médio prazo para 2026 continue construtiva, sustentada pela expectativa de melhora gradual da liquidez global, o comportamento de curto prazo ainda enfrenta outras limitações.
O BTC, diz a casa, segue testando uma faixa de resistência duradoura entre US$ 93.500 e US$ 95.000.
“Incertezas geopolíticas, fluxos mistos de ETFs e a necessidade de uma consolidação clara acima dessa zona de resistência também impedem, por ora, uma mudança mais decisiva na estrutura do mercado”, disseram.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h.
Bitcoin (BTC): +1,61%, US$ 92.031,71
Ethereum (ETH): +0,56%, US$ 3.132,10
XRP (XRP): +0,96%, US$ 2,04
BNB (BNB): +0,86%, US$ 907,79
Solana (SOL): +1,44%, US$ 141,60
Outros destaques do mercado cripto
Verde sai do jogo cripto. O fundo Verde, um dos mais tradicionais e respeitados do Brasil, decidiu zerar sua posição em criptomoedas. A gestora havia entrado nesse mercado no fim de 2024 – movimento que foi visto como um selo de “validação institucional” para os ativos digitais. Agora, em carta divulgada nesta semana, o fundo informou que saiu completamente da posição. O motivo não foi revelado. A decisão vem num momento em que o bitcoin anda sem muito fôlego e o humor do mercado segue mais azedo.
Fundos no vermelho (de leve). A semana passada foi levemente negativa para os fundos brasileiros de criptomoedas. No total, eles tiveram saídas de US$ 500 mil (algo como R$ 2,6 milhões). Mas isso não foi só aqui. Lá fora, ETFs (fundos negociados em bolsa) e produtos parecidos ligados a cripto viram US$ 454 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) irem embora no mesmo período. Pelo visto, o mau humor com o setor continua no ar.
Briga pelo rendimento. A exchange Coinbase está fazendo pressão em Washington para não perder o direito de pagar “juros” a quem deixa stablecoins paradas na plataforma. O estopim é um trecho do Clarity Act que pode proibir empresas não bancárias de oferecer esse tipo de recompensa. No centro da discussão está o programa da corretora que paga cerca de 3,5% ao ano para quem segura o dólar digital USDC por lá. Os bancos dizem que isso drena depósitos do sistema tradicional; a Coinbase fala que isso é só concorrência.
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