Agosto, mês do… Não. Nada disso. O que temos é mais um recorde para o Ibovespa: 141.422 pontos, à frente dos 141.263 pontos de 4 de julho. Foram 6,28% de alta em agosto. No ano, o índice voa: ganho de 18% – nada menos do que o dobro da variação do CDI em oito meses, de 8,97%.
O salto é, em grande parte, consequência das falas recentes de Jerome Powell. O presidente do banco central americano deixou as portas abertas para o afrouxamento da política monetária nos EUA. O mercado agora aposta na volta dos cortes nos juros por lá já em setembro.
Uma “Selic” menor nos EUA impulsiona a renda variável, naturalmente. Só que a bolsa americana dá sinais de perda de fôlego depois de ter valorizado mais de 40% nos últimos 24 meses. O S&P 500 até subiu em agosto – mas a alta ficou em 1,9%.
Essa conjuncão astral, de perspectiva de juros mais baixos por lá com uma bolsa americana cara, faz fluir dinheiro para outros portos, em busca de novas oportunidades. E o Brasil é um deles.
Justamente por conta do fluxo de dinheiro para cá, o real valoriza com força ante a moeda americana. E temos aí outra conjunção: em dólar, o Ibovespa sobe 34% no ano – uma bela recompensa para os gringos que apostaram no nosso mercado.
Setor de combustíveis
No destaque entre as empresas, a Raízen manteve o impulso após a operação Carbono Oculto que colocou na mira da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita Federal, um esquema controlado pelo PCC, que envolvia mais de mil postos de combustíveis, 1,6 mil caminhões para transporte e distribuição de produtos fraudados, além de fintechs e fundos de investimentos, usados para lavagem de dinheiro. Após a operação as ações da Ultrapar, dona dos postos Ipiranga, da Vibra, dos postos BR, e da Raízen, dos postos Shell, dispararam.
Nesta sexta-feira, a Raízen manteve o fôlego, com uma alta de 7,3%, embora Ultrapar e Vibra tenham perdido tração. A leitura de investidores é que o grupo, que luta para reduzir o endividamento, pode se beneficiar mais que os rivais diante de uma redistribuição de demanda tanto na distribuição quanto no consumo das bombas.