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Conflito no Irã movimenta milhões de dólares em apostas com criptomoedas

Na Polymarket, uma única aposta já movimentou quase US$ 530 milhões

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O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã não gerou apenas volatilidade no mercado cripto – com o bitcoin (BTC) recuando no fim de semana. A tensão também movimentou os mercados de previsão, plataformas baseadas em blockchain onde usuários apostam no desfecho de eventos futuros usando tokens.

Na Polymarket, uma das maiores do setor, há dezenas de contratos abertos relacionados à tensão no Oriente Médio. Na página dedicada à geopolítica, a reportagem do InvestNews identificou pelo menos 30 mercados ativos.

Um deles, chamado “EUA atacam o Irã até (qual data)?”, já acumulou US$ 529 milhões em volume total, tornando-se um dos maiores contratos individuais já hospedados na plataforma. Ele foi aberto no fim de dezembro e tem encerramento previsto para o final de junho.

Outro mercado, “Khamenei deixa de ser o Líder Supremo do Irã até 31 de março?”, foi resolvido em 100% após a TV estatal iraniana confirmar sua morte no fim de semana. O contrato movimentou US$ 45 milhões, e um dos usuários lucrou quase US$ 800 mil ao apostar no “sim”.

Nesse tipo de plataforma, os usuários compram tokens “sim” ou “não”, que representam os possíveis desfechos. Se o resultado escolhido se concretizar, o investidor pode resgatar os criptoativos vencedores pelo valor proporcional ao total apostado no mercado.

Crescimento


A Polymarket e outras plataformas semelhantes – como a Kalshi, fundada por uma brasileira – ganharam notoriedade nos últimos anos, especialmente durante as eleições dos Estados Unidos em 2024.

Em alguns momentos, as probabilidades implícitas nesses mercados chegaram a se mostrar mais precisas do que pesquisas tradicionais de intenção de voto. As empresas, porém, sempre ressaltaram que operam como mercados de previsão, e não como institutos de pesquisa.

O caminho até aqui, no entanto, foi turbulento. No fim de 2024, o fundador da Polymarket foi alvo de uma operação do FBI sob suspeita de violar regras relacionadas à prevenção de lavagem de dinheiro. O caso acabou sendo arquivado.

Desde então, a empresa passou a ganhar apoio de nomes ligados à família Trump e chegou a receber investimento da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

Apesar do crescimento, ainda há questionamentos sobre possíveis manipulações e uso de informação privilegiada.

Em mercados anteriores – como os relacionados à guerra entre Rússia e Ucrânia, à prisão de Nicolás Maduro ou ao vencedor do Prêmio Nobel da Paz – houve indícios de que alguns traders pareciam antecipar desfechos com precisão incomum, levantando dúvidas sobre acesso prévio a informações sensíveis.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -0,51%, US$ 66.128,01

Ethereum (ETH): -2,27%, US$ 1.937,39

XRP (XRP): -2,05%, US$ 1,34

BNB (BNB): -0,25%, US$ 620,90

Solana (SOL): -1,66%, US$ 83,77

Outros destaques do mercado cripto

Irã e seu ecossistema cripto bilionário. Além da volatilidade e da corrida aos mercados de previsão, os ataques dos EUA e de Israel também jogaram luz sobre a rede financeira paralela construída pelo Irã com mineração de bitcoin e uso crescente de stablecoins. Desde 2019, o país legalizou a atividade e usa energia subsidiada para produzir BTC, que pode ser direcionado ao banco central e empregado em transações fora do sistema do dólar. Segundo a Chainalysis, o ecossistema cripto iraniano movimentou US$ 7,78 bilhões em 2025

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A paixão do brasileiro por “cripto dólar”. Se há algo que o brasileiro gosta é “cripto dólar”. Em fevereiro, os investidores locais negociaram US$ 9,23 bilhões em USDT e USDC, as duas maiores stablecoins atreladas à moeda americana, segundo o Índice Biscoint. O montante é levemente acima dos US$ 8,95 bilhões registrados em janeiro. O avanço ocorre em meio à queda do dólar e a dúvidas sobre a incidência de IOF nesses ativos digitais.

Adeus, Brasil? Enquanto o conflito mexe com o mercado lá fora, a nova regulamentação brasileira do setor – criada pelo Banco Central no fim de 2025 e em vigor desde fevereiro – tem causado ruído. Algumas empresas estrangeiras avaliam que as exigências, como capital social integralizado de R$ 12 milhões, dificultam a operação no país. Pelo menos três grandes exchanges podem deixar o Brasil, segundo o portal especializado em cripto CoinTelegraph.

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