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CRIs e CRAs de empresas ‘premium’ já pagam IPCA+ 8% ao ano. Entenda essa oportunidade

Investidores encontram oportunidades no mercado secundário por causa do estresse com crises em grandes empresas

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As recentes crises de crédito de empresas em recuperação extrajudicial, como Raízen, GPA (Grupo Pão de Açúcar), Oncoclínicas e Kora Saúde, além da recuperação judicial do Grupo Toky, controlador da Mobly e da Tok&Stok, levaram o mercado de crédito privado a uma espécie de estresse permanente.

Mas o movimento generalizado de venda de títulos e a abertura do chamado “spread”, ou seja, o prêmio a mais pago pelos papéis em relação aos títulos públicos, também traz oportunidades de obter retornos historicamente elevados.

Muitos títulos de companhias consideradas de ótimo perfil de crédito (high grade) passaram a pagar remunerações acima daquelas encontradas no início do ano.

Nos mercados de certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA), em especial, há papéis de grandes empresas com remunerações superiores a IPCA+ 8% ao ano no mercado secundário.

Trata-se de um retorno acima de qualquer título IPCA+ oferecido na plataforma Tesouro Direto. Alguns papéis já superam o rendimento de inflação mais 10% ao ano. Mas não é qualquer CRI ou CRA.

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O momento de incertezas exige uma seleção criteriosa de ativos.

Além disso, o investidor precisa ter um perfil de tolerância ao risco, que seja capaz de aguentar o “sobe e desce” dos preços e das taxas no mercado secundário, em que são negociados os títulos antes do vencimento e que têm preços definidos pela marcação a mercado.

Isso significa que, a qualquer momento, os valores negociados podem mudar conforme o noticiário ou as percepções do mercado sobre temas tão diversos quanto eleições, cenário fiscal, inflação e questões geopolíticas. É o caso atual.

Remuneração em elevação

O CRA da produtora de papel e celulose Klabin, com vencimento em 2029, por exemplo, apresenta remuneração de IPCA+ 7,9% ao ano. A taxa original era de inflação + 3,5% ao ano.

Outros certificados de recebíveis do agro com vencimentos em 2027 e 2030, da BRF, atual MBRF, dona de marcas como Sadia e Perdigão, apresentam retornos no mercado secundário de IPCA+ 10,6% e IPCA+ 10,2% ao ano, respectivamente. Os papeis, originalmente, tinham retornos de inflação + 5,3% e + 5,6% anuais.

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O CRA da M. Dias Branco, dona de marcas como Piraquê, Adria e Bonsabor, com prazo até 2028 está pagando no secundário IPCA+ 8,5% ao ano, ante uma remuneração original de inflação mais 3,8% anuais.

Os CRAs dos frigoríficos Marfrig e Minerva com prazo em 2028 têm apresentado remunerações de IPCA+ 10,5% e IPCA+ 10,7% ao ano, respectivamente.

O CRI da Rede D’Or São Luiz com vencimento em 2036 tem sido negociado com taxa de IPCA+ 8,3%. O CRI com prazo em 2028 da Aliansce Sonae Shoppings aparece com retorno de IPCA+ 8,7% anuais.

Veja as taxas atuais das companhias de grande porte mais negociadas no mercado secundário:

Expectativas de inflação em alta

A Guerra do Irã e as expectativas de inflação em alta vêm pressionando o mercado de juros e influenciam até mesmo os rumos da política monetária no Brasil. Os eventos de crise de crédito, por sua vez, ampliam o estresse já elevado por causa das incertezas do cenário macroeconômico.

O resultado é uma venda massiva de ativos de crédito privado. Os fundos da categoria, por exemplo, registraram R$ 22,3 bilhões em saques líquidos apenas em abril.

Os dados de negociações da Anbima referentes a quarta-feira (13) mostram vários CRIs e CRAs de grandes empresas com taxas elevadas.

Como funciona o aumento de taxas

Retornos tão elevados quanto IPCA + 10% ou IPCA + 13% podem atrair muito investidor. Mas cuidado: taxas tão altas muitas vezes indicam que os riscos subiram na mesma proporção. Na prática, para quem está vendendo o papel no mercado secundário, isso significa dar um desconto no valor atual do título, o chamado valor presente.

O que determina o juro de um título do tipo IPCA+ é o preço que você paga por ele – porque o valor final de cada um no vencimento é sempre o mesmo.

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Vamos usar um exemplo fictício: você tinha acabado de investir R$ 1 mil em um CRI que rende IPCA + 4,5%, com prazo de resgate de um ano.

Ao fim desse período, você deveria receber R$ 1.093 (bruto), assumindo um IPCA de 4,8% no período. Mas você decidiu vender seu certificado no mercado secundário.

Para encontrar compradores, você está oferecendo um rendimento de IPCA + 10%. No resgate, esse papel vai continuar a pagar os mesmos R$ 1.093.

Isso quer dizer que você terá que descontar a rentabilidade a mais que está oferecendo para o papel, ou seja, você aceita receber R$ 952,09 por aquele CRI, abaixo dos R$ 1.000 que pagou.

Alta de taxas afeta títulos premium

A perspectiva de juros altos por mais tempo tem exercido o efeito de “abrir a curva de juros”. Isso significa que o spread está aumentando. Como os títulos do Tesouro, considerados os mais seguros do mercado, têm sido oferecidos a investidores com taxas prefixadas perto de 14% ao ano e acima de IPCA + 7% anuais para os papéis atrelados à inflação, os CRIs e CRAs, mesmo aqueles emitidos por companhias com melhor perfil de crédito, passam a se ajustar a partir desses patamares.

Como o prêmio em relação ao título público de vencimento semelhante está aumentando, as taxas dos certificados também ficam mais altas. É o caso, por exemplo, do CRI da Petrobras com vencimento em 2030, que no mercado secundário está com um retorno de IPCA+ 7,78% ao ano. Apesar de elevada, a taxa exibe um dos menores spreads entre as grandes companhias.

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