Em diversos grupos de WhatsApp e relatos colhidos pela reportagem, antigos clientes e credores do Master relatam estar à espera dos pagamentos, que estão demorando ou foram feitos apenas parcialmente. E não há também aparentemente uma ordem, já que muitas pessoas já cadastradas há mais tempo estão recebendo o dinheiro depois de outras que fizeram o pedido mais tarde.
O FGC tem recursos suficientes para fazer os ressarcimentos dos clientes do Master e também das fintechs que integram o conglomerado e foram liquidadas, caso do Letsbank e do Will Bank. Mas o fundo nunca antes teve que lidar com um volume tão grande de recursos a serem distribuídos.
Em número de indenizações, o ressarcimento do Master é o segundo maior da história do FGC. Em 1998, quando o Bamerindus foi liquidado, 3,9 milhões de correntistas e investidores foram pagos. Dessa vez, 600 mil pedidos já foram feitos ao fundo de um total de 800 mil pessoas que têm direito aos pagamentos.
Mas, em volumes, a situação do Master não tem precedentes: o FGC pagou antes um total R$ 6 bilhões em casos de liquidação de instituições financeiras, sendo R$ 4 bilhões apenas referente ao Bamerindus. Atualizado pela inflação, esse ressarcimento do banco representaria hoje R$ 20 bilhões, menos da metade do que vai acontecer no caso do Master e de suas fintechs liquidadas.
No caso do Will Bank, o fundo ainda sequer recebeu a lista para iniciar os pagamentos. Procurado para comentar sobre eventuais atrasos e dificuldades nos pagamentos aos clientes, o FGC afirmou não ter novidades a respeito do caso.
O quanto realmente vale o dinheiro
Cada dia de atraso no recebimento dos recursos faz com que os investidores tenham, na prática, um prejuízo, já que o rendimento dos CDBs a partir da data de liquidação banco não entram na conta do ressarcimento.
Quer dizer: apenas os rendimentos até novembro do ano passado são considerados na devolução dos recursos – e cada dia sem colocar a mão no dinheiro equivale a uma parcela de rentabilidade perdida.
Quem comprou em janeiro de 2025 um CDB do Banco Master pagando 120% do CDI e permaneceu com o título após a decretação da liquidação pelo Banco Central deve acabar recebendo algo próximo do equivalente a 102% do CDI, caso os recursos caiam na conta ainda neste mês.
Se a devolução ficar para fevereiro, o rendimento efetivo cai mais um degrau e passa a ficar perto de 101% do CDI, nível muito semelhante ao de um CDB de grande banco, mas com risco incomparavelmente menor.
A situação é mais dura para quem comprou o papel perto da data da liquidação. Nesses casos, o retorno anualizado pode cair para algo entre 80% e 90% do CDI, a depender do tempo em que o dinheiro ficou indisponível. É um nível próximo ao que rende a poupança, apesar de o risco assumido ter sido muito maior.