Só relembrando: tokenização é a conversão de produtos financeiros tradicionais em versões digitais registradas nessas infraestruturas, que são a base das criptomoedas. No caso da iniciativa da Anbima, a proposta é testar a emissão de ativos já em formato digital, de forma nativa.
As propostas se dividem em três frentes. A primeira envolve testes com fundos e debêntures operando juntos na mesma infraestrutura, com foco na integração de fluxos, regras e eventos ao longo do ciclo de vida dos ativos.
A segunda é voltada à emissão, gestão e liquidação de debêntures nativamente digitais. Já a terceira trata da operação de fundos de investimento por meio de smart contracts (programas que executam automaticamente regras e transações quando determinadas condições são atendidas), com testes de governança e processos automatizados.
Entre os participantes estão Banco Santander, Banco Safra, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco, BNP Paribas, Caixa, B3, IBM, Galapagos Capital, Mercado Bitcoin, Capitare, Apex Group, Ripple, além de outras empresas.
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Ambiente controlado
Essa fase inicial de testes deve durar cerca de seis meses. Os experimentos ocorrerão em ambiente controlado, próximo à realidade, mas sem movimentação de recursos reais nem participação de investidores.
“A fase de testes permitirá avaliar soluções na prática, mapear gargalos operacionais e apoiar a construção de referências comuns para o desenvolvimento da tokenização no mercado de capitais”, diz Eric Altafim, diretor da Anbima.
A ideia é que os aprendizados desse período sejam compartilhados com o mercado, que vem ganhando tração no país e no mundo todo.
Em abril, o Brasil atingiu a marca de R$ 10 bilhões em emissões de tokens. No cenário global, dados da plataforma RWA.xyz, que acompanha o setor, mostram que o valor já distribuído nas blockchains soma US$ 30,1 bilhões (cerca de R$ 150 bilhões).
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -2,00%, US$ 76.067,64
Ethereum (ETH): -2,95%, US$ 2.263,43
BNB (BNB): -1,88%, US$ 615,17
XRP (XRP): -1,89%, US$ 1,37
Solana (SOL): -2,47%, US$ 83,00
Outros destaques do mercado cripto
Imposto cripto tem novo código. A Receita Federal criou um código específico para o pagamento de imposto sobre criptos (pessoas físicas). Que rufem os tambores…. é o 1897. Na prática, ele passa a ser usado na Darf – a guia usada para recolher tributos – sempre que houver ganho tributável com cripto. Antes, investidores usavam um código genérico. Vale lembrar a regra: só paga imposto quem tem lucro em vendas acima de R$ 35 mil no mês.
BC mira stablecoins. O Banco Central do Brasil colocou as stablecoins no radar (de novo), mas dessa vez nas criptos emitidas por empresas fora do alcance regulatório do país. Em documento técnico enviado ao Congresso Nacional, a autarquia disse que esses tokens representam “um risco direto à isonomia regulatória e à soberania monetária”, pois exercem “funções típicas da moeda eletrônica sem sujeição às regras prudenciais nacionais”. A informação foi publicada pelo portal especializado em cripto Cointelegraph.
A quedinha da Visa por stablecoins. Se tem uma empresa que está apostando forte em stablecoins, é a Visa. A gigante expandiu seu piloto de liquidação com essas criptos para nove blockchains, incluindo Base, Polygon e Canton Network, além de outras já suportadas. O programa – que permite liquidar transações fora dos trilhos bancários tradicionais – já roda em um ritmo anualizado de US$ 7 bilhões. Nada mal.
