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Juros longos mantêm queda. Tesouro IPCA+ 2050 já ganha mais de 28% em um ano

Quem tem Tesouro IPCA+ 2050 já teve um ganho de 28% em 12 meses

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A perspectiva de queda da Selic a partir de março continua a descomprimir o mercado de juros futuros. As taxas dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação ofertados no Tesouro Direto continuam a cair gradualmente.

Os juros do Tesouro IPCA+ 2050, o mais longo da plataforma, por exemplo, têm caído desde 15 de janeiro. O retorno acima da inflação desse papel saiu de 7,12% ao ano para 6,84% nesta terça-feira.

Já a Tesouro IPCA+ 2040 atingiu o pico de sua taxa em 20 de janeiro, quando estava sendo negociado com retorno acima da inflação de 7,38% ao ano. Nesta terça-feira, a remuneração está em 7,24%.

Entre os prefixados, o título com vencimento em 2032, único disponível desde o início do ano, atingiu a maior remuneração em 20 de janeiro aos 13,79% ao ano. Atualmente, o papel tem taxa de 13,32%.

Na dinâmica do mercado, conforme os juros vão caindo, esses títulos vão ficando mais caros. Se você já tem esses títulos na carteira, você vê esse fenômeno ao observar ser saldo. Ele passa a aumentar velozmente.

Nos últimos 12 meses, o saldo de quem tem o título público prefixado com vencimento em 2032 subiu 22,5%.

Já quem comprou um IPCA+ 2040 e manteve na carteira até agora viu o saldo aumentar em 13,7% em um ano. No caso do IPCA+ 2050, o ganho foi ainda maior: de 28,24% – uma alta de renda variável no mundo da renda fixa.

As taxas dos títulos prefixados, em que a remuneração é definida no momento da compra do papel, e dos indexados à inflação, nos quais o retorno é definido pela variação do IPCA mais uma taxa extra, começaram a cair na metade de janeiro. Foi quando o mercado começou a se antecipar a um possível início de cortes da Selic.

Como esse movimento só começou, significa que ainda há uma grande oportunidade na mesa. Quem compra um título prefixado ou atrelado à inflação, estará “travando” uma taxa em um nível historicamente alto. E antes que, potencialmente, caia ainda mais.

O outro lado dessa moeda é que quem não tem os títulos na carteira vai gastar mais para entrar conforme o tempo passa. E a chande de rendimento fora do normal vai caindo proporcionalmente.

E por que as taxas se mantêm em queda? Primeiro, porque a chance de a taxa básica começar a cair a partir de março nunca esteve tão grande.

O Banco Central, apesar de ter mantido a Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro, passou a sinalizar que pretende começar o ciclo de queda na próxima reunião em março.

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Segundo, porque, além do IPCA de 2025 ter ficado dentro da faixa de tolerância da meta oficial do BC, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação cheia do mês, desacelerou em janeiro para o segundo menor patamar em uma primeira leitura no início de ano desde 1994.

O IPCA-15 foi, efetivamente, o gatilho para início da antecipação do ciclo de queda de juros pelo mercado. Em janeiro, o indicador divulgado sempre na metade do mês desacelerou para 0,20%, vindo de 0,25% em dezembro.

O mercado também passou a ver a fraqueza do dólar como um sinal positivo para a trajetória do IPCA ao longo dos próximos meses. Isso porque quando a moeda americana sobe traz impactos sobre a inflação ao pressionar os preços importados. Mas no sentido contrário, com valorização do real, os preços de produtos, insumos e serviços vindos de fora podem cair.

Tesouro de novidades

O Tesouro Direto começou fevereiro com novidades. Vários títulos saíram da plataforma e foram substituídos. Basicamente entraram:

  • Tesouro Prefixado 2029 no lugar do Tesouro Prefixado 2028;
  • Tesouro Prefixado 2037 com juros semestrais no lugar do Tesouro Prefixado 2035 com juros semestrais;
  • Tesouro IPCA+ 2032 no lugar do Tesouro IPCA+ 2029
  • Tesouro IPCA+ 2037 com juros semestrais no lugar do Tesouro IPCA+ 2035 com juros semestrais

As mudanças ocorrem na esteira da busca de um alongamento de prazos para os títulos negociados na plataforma para as pessoas físicas.

Entre os títulos pós-fixados, o único que permanece em negociação no Tesouro Direto é o Tesouro Selic 2031.

Para março, O Tesouro Direto vai ganhar um novo produto, o Tesouro Reserva, atrelado à Selic, mas que não vai ter os efeitos da marcação a mercado.

O Tesouro Reserva terá aplicação mínima de R$ 1. Será também o único título negociado 24 horas em sete dias na semana, ou seja, os investidores vão poder comprar e vender o papel a qualquer hora, sem interrupção.

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