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Minerva desaba na bolsa com risco logístico e rentabilidade mais pressionada

Ações lideram as perdas do Ibovespa com com dúvida do impacto dos conflitos no Oriente Médio sobre as operações da empresa

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A escalada e as dúvidas sobre até onde vão os conflitos no Oriente Médio bateram em cheio em mais uma empresa na bolsa de valores: a Minerva. O papéis lideram as perdas entre as ações integrantes do Ibovespa nesta quinta-feira (19), refletindo o risco de que o aumento de custos logísticos passe a pesar sobre as receitas da companhia, além da previsão de um ano de margens mais apertadas.

No fim do dia, a ação ordinária (ON) do frigorífico teve queda de 10,70%, cotada a R$ 3,84. Foi a quarta ação mais negociada da sessão. No ano, o papel acumula queda de 28%.

Ao redor de 7% das exportações brasileiras de carne bovina tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA. E cerca de 14% das receitas da Minerva no quarto trimestre de 2025 vieram da região.

As tensões geopolíticas estão gerando gargalos logísticos aos embarques de vários produtos. No meio disso, o aumento dos custos de fretes marítimos devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz atinge em cheio as perspectivas de demanda da região.

“Os preços do gado continuam a subir no Brasil e o ciclo se torna negativo em meio a um cenário geopolítico incerto que pode pesar sobre as exportações daqui para frente”, resumiram, em relatório, os analistas do Santander sobre as perspectivas para a Minerva nos próximos meses.

O fechamento do Estreito de Ormuz pode ainda dificultar as exportações de proteínas para outras regiões como a Ásia. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que usam a passagem marítima controlada pelo Irã.

Analistas ainda apontam para uma conjunção de fatores negativos de riscos no horizonte, como a possibilidade de greve de caminhoneiros, a alta dos preços dos combustíveis e barreiras sanitárias chinesas à importação de carne do Brasil e de outros países.

A queda das ações da Minerva vem ainda a reboque dos resultados do quarto trimestre de 2025, considerados mais fracos que o esperado. O Ebitda, uma medida de lucro operacional, por exemplo, alcançou R$ 1,17 bilhão nos três últimos meses do ano passado, abaixo das expectativas do mercado, que esperava R$ 1,4 bilhão para o período.

As receitas líquidas alcançaram R$ 14,2 bilhões no quarto trimestre, uma queda de 8,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e 4% abaixo do consenso do mercado.

A própria Minerva alertou na divulgação dos resultados que prevê uma rentabilidade mais pressionada neste ano. Para 2026, a expectativa da diretoria é de margens – uma medida de rentabilidade do negócio, isto é, quanto da receita se transforma em ganho após os custos – mais apertadas, diante da pressão de custos com frete, energia e, principalmente, a alta no preço do gado.

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